Brasil
TRANSPORTE NO RIO
O segundo dia da greve dos rodoviários voltou a provocar uma série de transtornos para milhares de passageiros que dependem diariamente dos ônibus no Rio de Janeiro.
Nesta terça-feira (30), a redução da frota em circulação resultou em longas filas nos principais corredores de transporte, veículos superlotados e espera que, em alguns pontos da cidade, chegou a 90 minutos. Enquanto trabalhadores e empresas seguem sem um acordo, a população continua sendo a principal afetada pela paralisação.
Desde as primeiras horas da manhã, terminais e pontos de ônibus registraram grande movimento. No Terminal Gentileza, na Região Portuária, um dos principais polos de integração do transporte coletivo da capital, passageiros relataram intervalos de até uma hora e meia entre um ônibus e outro. Em dias normais, a espera costuma variar entre 10 e 15 minutos, evidenciando o impacto da redução da frota.
A situação também foi crítica em bairros da Zona Sul, como a Lagoa Rodrigo de Freitas, onde dezenas de pessoas permaneceram por longos períodos nos pontos aguardando um coletivo. Com poucos ônibus circulando, os veículos que chegavam já estavam completamente lotados, obrigando muitos passageiros a esperar pela próxima viagem, sem garantia de conseguir embarcar.
A paralisação afetou diretamente trabalhadores, estudantes e pessoas que precisavam se deslocar para consultas médicas e compromissos importantes. Muitos relataram atrasos no trabalho e dificuldades para cumprir a rotina, enquanto outros recorreram a aplicativos de transporte, táxis e vans, elevando os custos de deslocamento em meio à falta de alternativas.
Além dos impactos na mobilidade urbana, o segundo dia da greve foi marcado por momentos de tensão. Durante uma assembleia da categoria houve confusão entre participantes, e também foram registrados casos de depredação de ônibus, aumentando a preocupação das autoridades e das empresas de transporte com a segurança durante o movimento.
A paralisação tem como pano de fundo o impasse nas negociações entre o Sindicato dos Rodoviários e as empresas de ônibus. A categoria reivindica reajuste salarial, melhorias nos benefícios e avanços nas condições de trabalho. As empresas, por sua vez, alegam dificuldades financeiras para atender integralmente às demandas apresentadas, o que mantém as negociações em um cenário de impasse.
Na tentativa de encerrar o movimento, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) convocou uma nova audiência de conciliação para esta quarta-feira (1º), às 11h. A expectativa é que representantes dos trabalhadores e das empresas avancem nas negociações e cheguem a uma proposta que possa colocar fim à greve.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou receber com expectativa a nova rodada de negociações. Segundo ele, há esperança de que a audiência resulte em um entendimento capaz de encerrar a paralisação e restabelecer a normalidade no transporte público da capital.
Após a reunião no TRT, o sindicato realizará uma assembleia geral para apresentar aos rodoviários a proposta construída durante a audiência. Caso a categoria aprove os termos negociados, a greve poderá ser encerrada ainda nesta quarta-feira, permitindo a retomada gradual da circulação dos ônibus e reduzindo os impactos enfrentados por milhares de passageiros em toda a cidade. Por podcast edinhotaon / Edno Mariano
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