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Entrevista com a cantora Alcione – 1a Festa de Santa Bárbara em Lisboa

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  • Duda Tawil, de Salvador da Bahia

Ao longo da sua carreira, a senhora emocionou milhões de pessoas cantando a Bahia, a fé, o povo e as suas raízes. Agora passa também a fazer parte da história da primeira festa de Santa Bárbara em Portugal. Na sua opinião, qual é a importância de se manterem vivas essas tradições fora do Brasil, especialmente para as novas gerações de brasileiros que vivem no exterior e para os portugueses que desejam conhecer mais profundamente essa herança cultural?

Manter as nossas tradições é ter a certeza de que nossa cultura é a nossa fé, elementos importantes para a construção da identidade brasileira, jamais se perderão. Seja aqui ou além fronteiras!

Através da sua arte, há mais de 50 anos a senhora sempre transmitiu ao público a força da sua fé e o respeito às suas tradições religiosas. Maria Andreza, idealizadora do evento, também traz essa espiritualidade como parte da sua caminhada e costuma dizer que encontrou em Santa Bárbara e em Oyá uma fonte de força para enfrentar os desafios da vida. Como a senhora vive a sua fé no cotidiano?

A fé é o que me move. Nunca me levanto ou me deito, sem agradecer a Deus, Nossa Senhora, meus Orixás e todas as forças do bem que nos movem. Sem Deus, nada é possível.

Muito além da relação entre artista e admiradora, nasceu uma amizade entre vocês duas. Na sua opinião, a fé teve um papel importante nessa aproximação? O que a senhora enxerga na Andreza que fez esse vínculo crescer de forma tão especial?

Andreza é uma amiga especial que a Bahia me deu. O que o samba uniu, ninguém separa! Ainda mais com as bençãos de Santa Bárbara e Iansã. Como me disse Mãe Menininha do Gantois, “ninguém segura o vento!”

Embora a senhora seja maranhense, a Bahia sempre a acolheu com enorme carinho e tornou-se parte da sua trajetória artística, cultural e afetiva. É justamente da tradição baiana em homenagem a Santa Bárbara que nasceu a inspiração para realizarmos esta celebração em Portugal. Como se sente como madrinha dessa primeira edição?

Honrada e muito feliz com esse convite! Tenho certeza que será a primeira edição de uma festa que ficará para sempre no calendário de Portugal, assim como é na Bahia.

O tema dessa primeira edição é “Os ventos que ventam lá, ventam cá”, simbolizando essa travessia de fé, cultura e tradição entre Brasil e Portugal. Como a senhora se sente ao fazer parte desse momento tão especial, levando simbolicamente essa tradição para um país pelo qual sempre demonstrou tanto carinho e onde também é recebida com grande afeto?

Portugal sempre teve um papel importante na minha carreira. Gravei meu primeiro compacto em 1972 e o meu primeiro LP, em 75. Desde lá, fui abraçada pelos portugueses de uma forma muito especial e respeitosa. A música “Retalhos”, que gravei em 1976, foi meu primeiro grande sucesso por lá!

Como se sentiu ao se tornar Cidadã Baiana, oficialmente, no passado?

Sempre tive a Bahia dentro de mim, dentro da minha obra. Sempre me senti parte da Bahia. E ter esse reconhecimento, essa titulação oficial, é ter a certeza de que esse amor é recíproco!

Quando o público português vai lhe ouvir cantar de novo nos palcos lusos?

Em breve, se Deus e Santa Bárbara quiserem!

Foto (divulgação): A grande Alcione e Carlos Marão, seu diretor de marketing da Marrom Music e Egbon do Ilé Àṣẹ Ọbalúwáiyé Jagun, que fica em Duque de Caxias-RJ

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