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ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

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Custo de uma dieta equilibrada sobe 25% em cinco anos e deixa quase um terço da população mundial sem acesso, alerta relatório da ONU
Manter uma alimentação saudável ficou significativamente mais caro nos últimos cinco anos.

Segundo o relatório Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2026, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, o custo médio de uma dieta considerada adequada aumentou 25% no período, tornando esse padrão alimentar inacessível para cerca de 2,69 bilhões de pessoas em todo o planeta.O documento será apresentado oficialmente na próxima terça-feira, em Roma, durante um evento que reúne representantes de diversos países para discutir o combate à fome e à desnutrição.

Os dados mostram que, atualmente, manter uma alimentação saudável custa, em média, US$ 4,28 por pessoa por dia, valor equivalente a aproximadamente R$ 22 na cotação atual. Embora possa parecer um gasto modesto em países de alta renda, o custo representa um peso elevado para milhões de famílias de baixa renda, principalmente em nações em desenvolvimento, onde a inflação dos alimentos e o baixo poder de compra dificultam o acesso a produtos nutritivos.

De acordo com a FAO, aproximadamente um em cada três habitantes do planeta não consegue pagar por uma alimentação composta por alimentos frescos e ricos em nutrientes, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, proteínas de qualidade e laticínios.O economista-chefe da entidade, Máximo Torero Cullen, destacou que o desafio mundial já não está apenas em produzir alimentos suficientes para abastecer a população, mas em garantir que eles sejam economicamente acessíveis.

A ONU alerta que o aumento do custo da alimentação saudável agrava problemas como a fome, a insegurança alimentar e a chamada “fome oculta”, caracterizada pela deficiência de vitaminas e minerais essenciais ao organismo.A lém disso, muitas famílias acabam substituindo alimentos nutritivos por produtos ultraprocessados, geralmente mais baratos e com alto teor de açúcar, gordura e sódio. Essa mudança no padrão alimentar contribui para o crescimento dos índices de obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas, criando um novo desafio para os sistemas de saúde pública.

O relatório também revela grandes diferenças entre as regiões do mundo. A América Latina e o Caribe registram atualmente o maior custo para manter uma alimentação saudável, situação influenciada por fatores como inflação, custos de transporte, eventos climáticos extremos, baixa produtividade em algumas regiões e desigualdade social. Em muitos países, alimentos frescos chegam ao consumidor com preços elevados, tornando mais difícil a adoção de uma dieta equilibrada.

Especialistas da FAO defendem que o enfrentamento desse problema depende de políticas públicas capazes de ampliar o acesso da população a alimentos saudáveis. Entre as medidas apontadas estão o fortalecimento da agricultura familiar, incentivos à produção local, redução do desperdício de alimentos, investimentos em infraestrutura, programas de alimentação escolar e ações voltadas para educação alimentar e nutricional.

A divulgação do relatório reforça que a segurança alimentar continua sendo um dos principais desafios globais. Apesar do avanço da produção agrícola e da tecnologia no campo, bilhões de pessoas ainda enfrentam dificuldades para colocar alimentos nutritivos na mesa diariamente. Para a ONU, garantir uma alimentação saudável, acessível e sustentável será fundamental para reduzir a fome, melhorar a qualidade de vida da população e alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos para as próximas décadas. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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