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TRANSPORTE FERROVIÁRIO|Da gestão rodoviária aos trilhos: coronel da reserva assume presidência da Riotrilhos

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Marcus Vinicius Porto Vieira deixa a vice-presidência do Detro e passa a comandar empresa responsável pelo planejamento e pela expansão do transporte ferroviário de passageiros no estado

O Governo do Estado do Rio de Janeiro promoveu uma mudança na estrutura de comando do setor de transportes. O coronel da reserva da Polícia Militar Marcus Vinicius Porto Vieira foi escolhido para assumir a presidência da Riotrilhos, empresa pública estadual responsável pelo planejamento, desenvolvimento de projetos e gerenciamento de iniciativas relacionadas à expansão do transporte de passageiros sobre trilhos.

A nomeação foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia e publicada no Diário Oficial desta terça-feira (18). A mudança coloca à frente da empresa um nome que já integrava a estrutura estadual de transportes, mas que vinha atuando em uma área diferente: o transporte rodoviário.

Antes de chegar à Riotrilhos, Marcus Vinicius ocupava o cargo de vice-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ). A transferência representa, portanto, uma mudança de eixo dentro da política de mobilidade do governo estadual do acompanhamento e da gestão do transporte rodoviário para uma empresa cuja atuação está diretamente ligada ao planejamento da infraestrutura ferroviária.

Uma mudança dentro da estrutura de transportes do Estado

A Riotrilhos possui uma função diferente daquela exercida pelo Detro.

Enquanto o departamento rodoviário está relacionado à organização e à fiscalização do transporte intermunicipal por ônibus e outros serviços rodoviários sob responsabilidade estadual, a Riotrilhos atua em uma frente de planejamento de longo prazo: a expansão e o desenvolvimento de sistemas de transporte sobre trilhos.

Isso significa que a nova presidência chega em uma empresa cujo trabalho envolve estudos, projetos, planejamento de novas ligações ferroviárias e metroviárias e articulação com diferentes órgãos públicos e agentes do setor.

A mudança ganha relevância porque projetos ferroviários normalmente envolvem investimentos elevados, obras de longo prazo, estudos de demanda, desapropriações, licenciamento, integração com outros modais e definição de modelos de financiamento e operação.

Por isso, a presidência da Riotrilhos não se limita à administração cotidiana de um sistema de transporte. A empresa exerce papel estratégico na definição de como o Estado pretende ampliar sua infraestrutura de mobilidade.

Do transporte rodoviário para o transporte sobre trilhos

A passagem de Marcus Vinicius pelo Detro é um dos principais elementos de seu perfil administrativo.

No órgão, o coronel da reserva atuava como vice-presidente e estava inserido na estrutura responsável pelo transporte rodoviário intermunicipal. Agora, passa a comandar uma empresa voltada para outro modal.

A mudança pode aproximar duas áreas que, embora distintas, fazem parte de uma mesma política de mobilidade: ônibus e trens precisam funcionar de maneira integrada para que a expansão do transporte público produza resultados efetivos para os passageiros.

A integração entre diferentes modais é especialmente importante em uma região metropolitana como a do Rio de Janeiro, onde milhões de deslocamentos dependem diariamente de uma combinação de ônibus, trens, metrô, barcas e outros meios de transporte.

Nesse cenário, decisões tomadas pela Riotrilhos podem ter impacto que vai além das linhas ferroviárias propriamente ditas.

O desafio de ampliar a malha sobre trilhos

Um dos principais desafios colocados para a nova gestão será transformar projetos de expansão ferroviária em iniciativas viáveis.

A expansão do transporte sobre trilhos exige planejamento de longo prazo e capacidade de articulação entre diferentes níveis de governo. Um novo projeto pode depender de recursos estaduais e federais, financiamento, estudos técnicos, licenciamento ambiental, definição de traçado, integração tarifária e conexão com redes já existentes.

Além disso, projetos ferroviários precisam ser pensados a partir da demanda real da população.

Não basta construir uma nova ligação. É necessário avaliar onde estão os principais fluxos de passageiros, quais regiões apresentam maior necessidade de transporte de alta capacidade e como uma nova linha poderá reduzir o tempo de deslocamento e melhorar a integração da rede.

Nesse aspecto, a Riotrilhos exerce uma função que antecede a operação comercial das linhas: planejar o futuro da infraestrutura sobre trilhos do estado.

Uma área estratégica para a mobilidade metropolitana

A escolha do novo presidente ocorre em um momento em que a mobilidade urbana permanece entre os principais desafios do Rio de Janeiro.

A Região Metropolitana concentra grande parte da população e das atividades econômicas do estado, criando deslocamentos diários de longa distância entre municípios da Baixada Fluminense, Zona Oeste, Zona Norte, São Gonçalo, Niterói e a capital.

O transporte ferroviário tem uma característica importante nesse contexto: capacidade elevada de transporte de passageiros em comparação com sistemas rodoviários convencionais.

Por isso, a expansão dos trilhos pode contribuir para reduzir a dependência do transporte individual e diminuir a pressão sobre as principais vias de circulação.

Mas esse processo depende de investimentos e, principalmente, de planejamento integrado.

O que muda na Riotrilhos

A chegada de Marcus Vinicius não representa apenas uma troca de nomes na presidência. O novo comando terá de estabelecer prioridades para uma empresa que trabalha diretamente com projetos estruturantes.

Entre os principais desafios estão a definição de projetos prioritários, a atualização de estudos, a busca por fontes de financiamento e a articulação com os demais órgãos responsáveis pela mobilidade estadual.

Também será necessário acompanhar a evolução dos projetos que já estão em discussão e avaliar quais possuem condições técnicas e financeiras para avançar.

A experiência anterior no setor de transportes pode ser um elemento utilizado nessa transição. Ao deixar o Detro e assumir a Riotrilhos, Marcus Vinicius permanece dentro da mesma estrutura governamental, mas passa a atuar em uma área com características diferentes e com horizonte de planejamento mais voltado à infraestrutura.

Uma presidência com foco no planejamento

Diferentemente de uma empresa operacional que administra diretamente uma frota ou uma linha de transporte, a Riotrilhos tem como uma de suas principais funções pensar a expansão do sistema.

Isso coloca o novo presidente diante de uma agenda que combina gestão pública, engenharia, planejamento urbano e articulação política.

O resultado dessa gestão deverá ser observado não apenas por medidas administrativas internas, mas pela capacidade de fazer avançar projetos concretos de expansão da rede sobre trilhos.

A nomeação de Marcus Vinicius Porto Vieira, portanto, abre uma nova etapa na condução da Riotrilhos. O coronel da reserva deixa uma função ligada ao transporte rodoviário para assumir uma empresa estratégica para o futuro da mobilidade ferroviária do Rio.

A partir de agora, o principal desafio será transformar planejamento em projetos executáveis e fazer com que a expansão dos trilhos esteja conectada às necessidades reais de deslocamento da população fluminense. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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