Brasil
TURISMO INTERNACIONAL|Rio ganha espaço como principal porta de entrada de turistas estrangeiros e reduz distância para São Paulo
Estado recebeu 1,51 milhão de visitantes internacionais entre janeiro e julho de 2026, alta de 14,4%; avanço acontece enquanto o Brasil registra queda no fluxo estrangeiro
O Rio de Janeiro ampliou sua importância no turismo internacional brasileiro em 2026 e se aproximou de São Paulo na disputa pelo posto de principal porta de entrada de visitantes estrangeiros no país. Entre janeiro e julho, 1,51 milhão de chegadas internacionais foram registradas pelo estado, um crescimento de 14,4% em relação ao mesmo período de 2025.
O desempenho ganha ainda mais relevância porque ocorreu em um cenário de retração nacional. Nos sete primeiros meses do ano, o Brasil contabilizou 5,87 milhões de entradas de turistas internacionais, contra 5,95 milhões no mesmo intervalo de 2025. A queda foi de 1,3%.
Os dados, elaborados a partir de informações da Embratur, do Ministério do Turismo e da Polícia Federal, mostram que o crescimento do turismo estrangeiro não está ocorrendo de maneira uniforme pelo território brasileiro. Enquanto alguns estados ampliaram significativamente sua participação, outros registraram redução no número de entradas.
Nesse cenário, o Rio aparece como um dos principais destaques positivos.
Rio recebe quase 190 mil estrangeiros a mais
A diferença em relação ao ano passado representa aproximadamente 190 mil chegadas internacionais adicionais pelo estado.
Entre janeiro e julho de 2025, o Rio havia registrado cerca de 1,32 milhão de entradas. No mesmo período deste ano, o número subiu para 1,51 milhão.
Em termos percentuais, significa que o fluxo cresceu mais de três vezes acima do registrado por São Paulo no mesmo período.
O resultado reforça a posição do Rio como um dos principais destinos internacionais do Brasil, beneficiado tanto pela força turística da capital quanto pela existência de uma estrutura aeroportuária capaz de receber voos de diferentes mercados.
A cidade do Rio de Janeiro, especialmente, possui uma marca turística consolidada internacionalmente, associada a atrações como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, as praias de Copacabana e Ipanema, o Carnaval e o Réveillon.
São Paulo continua na liderança
Apesar do crescimento acelerado do Rio, São Paulo permanece na primeira colocação entre os estados que recebem turistas internacionais.
Nos primeiros sete meses de 2026, foram 1,65 milhão de chegadas pelo estado paulista, alta de 4,4% em comparação com os aproximadamente 1,58 milhão registrados no mesmo período do ano anterior.
A vantagem sobre o Rio, entretanto, diminuiu.
São Paulo terminou o período com aproximadamente 140 mil entradas a mais que o Rio. Um ano antes, a distância era de cerca de 260 mil.
Ou seja, em apenas 12 meses, o Rio reduziu pela metade a diferença que o separava do principal portão de entrada do país.
Se o ritmo de crescimento observado nos primeiros sete meses for mantido, a disputa entre os dois estados tende a ganhar ainda mais importância na segunda metade do ano.
Rio e São Paulo concentram mais da metade das entradas
Juntos, Rio de Janeiro e São Paulo registraram aproximadamente 3,16 milhões de chegadas internacionais entre janeiro e julho.
Isso corresponde a mais da metade de todas as entradas contabilizadas no Brasil no período.
A concentração mostra a importância dos dois estados para a conectividade internacional brasileira.
São Paulo possui uma vantagem estrutural relacionada ao tamanho de sua economia e à posição do Aeroporto Internacional de Guarulhos como um dos principais hubs aéreos da América Latina.
O Rio, por sua vez, combina uma forte demanda turística com sua posição geográfica, oferta hoteleira e capacidade de receber voos internacionais.
Na prática, os dois estados cumprem funções parcialmente diferentes: São Paulo é um importante centro corporativo e de conexão aérea, enquanto o Rio tem enorme peso como destino turístico propriamente dito.
O que explica o avanço do Rio?
O crescimento de 14,4% não deve ser interpretado apenas como resultado de uma única causa.
O desempenho é consequência de uma combinação de fatores, entre eles a oferta de voos internacionais, a recuperação e expansão de mercados emissores, a promoção turística e a força da imagem do Rio no exterior.
A capital fluminense também se beneficia de uma característica que poucos destinos brasileiros possuem: o reconhecimento internacional da cidade como destino turístico mesmo entre pessoas que nunca estiveram no país.
O Rio funciona, para muitos estrangeiros, como uma espécie de cartão de visitas do Brasil.
Isso significa que mudanças na oferta de voos, campanhas de divulgação e eventos de grande porte podem ter impacto direto na quantidade de visitantes.
Turismo internacional movimenta muito mais do que hotéis
O aumento da chegada de estrangeiros não representa apenas mais hóspedes nos hotéis.
O turista internacional movimenta uma cadeia econômica extensa, que inclui companhias aéreas, aeroportos, hotéis, restaurantes, bares, transporte, comércio, agências de viagens, guias turísticos, atrações culturais e entretenimento.
Um visitante que chega ao Rio pode gastar dinheiro em hospedagem, alimentação, transporte, ingressos, compras e serviços durante vários dias.
Por isso, o crescimento do fluxo internacional pode produzir efeitos sobre emprego e renda em diferentes setores.
O impacto também pode ser especialmente relevante para pequenos negócios, que dependem diretamente da circulação turística em bairros como Copacabana, Ipanema, Botafogo, Santa Teresa e Centro.
O contraste com o resultado brasileiro
O desempenho do Rio chama atenção principalmente porque o país, como um todo, apresentou uma pequena retração.
A queda nacional de 1,3% mostra que o aumento registrado no estado não pode ser explicado simplesmente por uma expansão geral do turismo estrangeiro no Brasil.
Isso levanta uma questão importante: por que o Rio cresceu enquanto o país recuou?
Uma possibilidade está na mudança da participação dos diferentes portões de entrada. Se alguns estados perdem visitantes enquanto o Rio aumenta seu fluxo, parte dos turistas que chegam ao Brasil pode estar concentrando sua entrada no território fluminense.
Outro fator é a própria dinâmica dos voos internacionais. A quantidade de rotas diretas, frequências semanais e conexões disponíveis influencia fortemente a escolha do aeroporto de chegada.
Rio Grande do Sul aparece em sentido contrário
O Rio Grande do Sul, terceiro principal portão de entrada de turistas internacionais, apresentou um comportamento diferente.
A retração gaúcha ajuda a explicar por que o crescimento do Rio ganha relevância no cenário nacional.
O estado possui uma posição estratégica para a entrada de visitantes da América do Sul, especialmente por suas fronteiras terrestres e pela conexão com países como Argentina e Uruguai.
Mudanças na circulação regional, condições econômicas dos países vizinhos e fatores relacionados ao transporte podem influenciar diretamente esse fluxo.
A diferença de desempenho entre os estados mostra que o turismo internacional brasileiro depende de uma combinação de fatores nacionais e regionais.
América do Sul continua estratégica
Um dos pontos importantes para entender o turismo estrangeiro no Rio é a proximidade com os mercados sul-americanos.
Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e outros países da região possuem conexões aéreas relativamente rápidas com o Brasil e representam mercados relevantes para destinos fluminenses.
A Argentina, em particular, possui uma relação turística histórica com o Rio.
O visitante argentino encontra no estado uma combinação de praia, clima, vida noturna, gastronomia e atrações culturais que ajudam a manter a cidade entre os destinos internacionais mais conhecidos da América do Sul.
Ao mesmo tempo, o Rio também busca ampliar sua presença em mercados de longa distância, como Europa e América do Norte.
Eventos ajudam a manter o fluxo
Outro elemento importante é o calendário de eventos.
Carnaval, Réveillon e grandes eventos culturais e esportivos funcionam como importantes indutores da chegada de estrangeiros.
O calendário turístico também permite que o estado reduza a dependência de determinados períodos do ano.
Quanto maior a diversidade de eventos e atrações distribuídos ao longo dos meses, maior a possibilidade de manter uma ocupação turística mais equilibrada.
Esse aspecto é particularmente importante porque o turismo internacional gera benefícios maiores quando o visitante permanece mais tempo e circula por diferentes regiões.
O desafio agora é fazer o turista ficar mais tempo
O crescimento no número de entradas é positivo, mas não é o único indicador relevante.
Para a economia, também importa quanto cada turista gasta, quanto tempo permanece e quais regiões visita.
Um visitante que passa poucos dias no estado e permanece concentrado na capital gera um impacto diferente daquele que fica uma semana e conhece outras cidades fluminenses.
Por isso, o próximo desafio para o Rio é transformar o aumento das chegadas em maior permanência e distribuição dos gastos turísticos.
Petrópolis, Paraty, Búzios, Angra dos Reis, Região Serrana e Costa do Sol, por exemplo, possuem potencial para ampliar a permanência média dos visitantes que chegam pela capital.
Rio ainda precisa enfrentar gargalos
O avanço do turismo internacional também aumenta a pressão sobre a infraestrutura.
Aeroportos, transporte público, mobilidade urbana, segurança, sinalização turística, atendimento multilíngue e qualidade dos serviços precisam acompanhar o crescimento da demanda.
Para o turista estrangeiro, a experiência começa antes mesmo de chegar ao hotel.
Uma conexão aérea eficiente, facilidade para deixar o aeroporto, informações claras, meios de pagamento acessíveis e segurança durante os deslocamentos influenciam diretamente a avaliação do destino.
O crescimento do fluxo, portanto, também funciona como um teste para a capacidade do estado de receber visitantes em escala maior.
Uma disputa que pode ficar ainda mais acirrada
Os números dos primeiros sete meses de 2026 mostram uma mudança importante na disputa entre Rio e São Paulo.
São Paulo continua na liderança, mas a distância caiu de aproximadamente 260 mil para 140 mil chegadas em apenas um ano.
O Rio cresceu 14,4%, enquanto São Paulo avançou 4,4%.
Se essa diferença de ritmo continuar, o estado fluminense poderá se aproximar ainda mais da liderança nos próximos meses.
Mais importante do que a disputa pelo primeiro lugar, entretanto, é o significado econômico do movimento.
Em um país que registrou queda de 1,3% nas chegadas internacionais, o crescimento do Rio mostra que existem oportunidades para ampliar a participação brasileira no turismo mundial.
O desafio será transformar a maior chegada de estrangeiros em mais empregos, maior renda, maior permanência dos visitantes e distribuição dos benefícios turísticos para além dos principais cartões-postais da capital.
O Rio já possui uma das marcas turísticas mais fortes do país. Agora, os números mostram que o estado está conseguindo converter essa vantagem em crescimento real no fluxo internacional.
E, ao reduzir significativamente a distância para São Paulo, abre uma nova frente na disputa pelos milhões de estrangeiros que escolhem o Brasil como destino. Por podcast edinhotaon / Edno Mariano
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