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Polícia

VIOLÊNCIA NO RIO|Menino de 6 anos perde visão após ser ferido durante operação policial na Mangueira

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Um menino de seis anos, identificado como Lucas Afonso, perdeu a visão do olho esquerdo depois de ser ferido durante uma operação policial realizada na região da Mangueira, na Zona Norte do Rio, na quarta-feira (12). Segundo familiares, a criança estava brincando no terraço de casa quando foi atingida na região do supercílio. Ainda não está esclarecido se o ferimento foi provocado por um disparo de arma de fogo ou por estilhaços.

Lucas recebeu os primeiros atendimentos no Hospital Municipal Menino Jesus, em Vila Isabel, e posteriormente foi transferido para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele passou por cirurgia e permanece internado em estado estável.

O caso ocorreu durante uma operação da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), que tinha como alvo ferros-velhos suspeitos de atuar na receptação de materiais furtados na região da Favela do Metrô, área próxima à Mangueira. Segundo a Polícia Civil, os estabelecimentos eram investigados por receber e revender materiais de origem criminosa, principalmente cabos de cobre.

A ação policial terminou em confronto após agentes da DRF, segundo a corporação, serem atacados por criminosos que estavam na comunidade. A Polícia Civil afirma que os suspeitos efetuaram disparos contra os policiais a partir de pontos elevados da região. Em nota, a instituição declarou que não houve revide por parte dos agentes.

A operação resultou na apreensão de cabos já cortados, equipamentos eletrônicos, balança, computador, dinheiro e uma estrutura utilizada para queimar cabos e retirar a cobertura dos fios. Segundo a investigação, o material poderia estar relacionado a furtos registrados principalmente em bairros como Tijuca, Grajaú e Vila Isabel. Cinco pessoas foram presas em flagrante por suspeita de receptação qualificada.

Criança atingida durante ação policial

O ferimento de Lucas transformou a operação em mais um episódio envolvendo moradores que acabam expostos à violência durante ações de segurança pública em áreas residenciais.

A família afirma que o menino estava em casa quando foi atingido. A origem exata do fragmento que provocou o ferimento ainda deverá ser determinada pela investigação. A Polícia Civil informou que vai apurar as circunstâncias do caso.

A definição sobre o que atingiu a criança será fundamental para esclarecer a dinâmica do episódio. Perícias poderão ajudar a determinar se o ferimento foi causado diretamente por um projétil, por um disparo de raspão ou por fragmentos produzidos durante a troca de tiros.

A Polícia Civil, por sua vez, responsabilizou os criminosos pelo risco imposto à população. Em nota, afirmou que os agentes foram atacados por traficantes e que os disparos colocaram em perigo moradores e policiais.

Histórico de problemas com ferros-velhos na região

A região da Rua São Francisco Xavier já havia sido alvo de ações de fiscalização relacionadas a estabelecimentos utilizados para receptação de materiais sem procedência.

Em fevereiro de 2025, a Prefeitura do Rio demoliu um ferro-velho ilegal localizado ao lado da entrada da Favela do Metrô. O imóvel ocupava uma área pública de aproximadamente mil metros quadrados e, segundo a Secretaria Municipal de Ordem Pública, funcionava sem licença e alvará. Na ocasião, foram apreendidos cerca de 15 quilos de cobre sem procedência, além de outros materiais.

Meses depois, em maio de 2025, equipes municipais voltaram ao local e encontraram uma estrutura improvisada utilizada para armazenar e manipular materiais sem procedência, incluindo cobre e fios. Também foram apreendidas balanças, câmeras de vigilância e outros objetos.

O combate à receptação de cabos e metais ganhou importância diante dos impactos provocados pelos furtos desse tipo de material. Além do prejuízo às empresas e aos proprietários, o crime pode afetar serviços de telefonia, energia e outros setores que dependem de redes instaladas nas ruas.

Protestos após a operação

Após a ação policial e a confirmação de que uma criança havia sido ferida, moradores realizaram um protesto na região. Pneus e caçambas de lixo foram colocados nas pistas e incendiados, provocando a interdição da Avenida Rei Pelé, no sentido Centro, e da Rua São Francisco Xavier, em direção ao Méier.

A manifestação provocou impactos no trânsito em uma área de grande circulação, próxima ao Maracanã e à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A Polícia Militar foi acionada para atuar na região e restabelecer a circulação. As vias foram liberadas posteriormente.

O episódio voltou a colocar em evidência um dos principais desafios da segurança pública no Rio: realizar operações contra estruturas criminosas sem ampliar os riscos para moradores que vivem ou circulam nas áreas afetadas.

Investigação deve esclarecer origem do ferimento

Além da investigação sobre o ferro-velho e os ataques contra os policiais, a Polícia Civil deverá apurar especificamente as circunstâncias em que Lucas foi atingido.

A perícia será importante para reconstruir a trajetória do objeto que atingiu a criança e determinar a origem do fragmento. O resultado poderá ajudar a esclarecer se houve relação direta com os disparos registrados durante a operação.

Enquanto a investigação prossegue, Lucas permanece internado. Para a família, o episódio deixou uma consequência permanente: aos seis anos, o menino perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingido enquanto estava dentro de casa.

O caso também reacende a discussão sobre os efeitos da violência armada sobre moradores que não participam dos confrontos e sobre a necessidade de mecanismos capazes de garantir a segurança da população durante operações policiais em áreas densamente povoadas.por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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