Brasil
Morre Zuenir Ventura, imortal da ABL e mestre do jornalismo brasileiro, aos 95 anos
O jornalismo e a literatura brasileira perderam uma de suas vozes mais expressivas. O jornalista, escritor e acadêmico Zuenir Ventura morreu em sua casa, no Rio de Janeiro, aos 95 anos. A informação foi confirmada por familiares. Integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), Zuenir se notabilizou por combinar rigor investigativo, apuração humanizada e sensibilidade social na produção de livros-reportagem que se tornaram retratos fundamentais da história recente do país.
Nascido em Além Paraíba (MG) e criado em Nova Friburgo (RJ), Zuenir iniciou a carreira na Tribuna da Imprensa como arquivista antes de migrar para a reportagem ao cobrir a morte do escritor Albert Camus. Construiu uma trajetória marcante em veículos como Correio da Manhã, Jornal do Brasil, Veja, IstoÉ e O Globo, além de ter participado da criação do jornal alternativo O Sol. Conhecido carinhosamente como “Mestre Zu” pelos alunos de jornalismo da UFRJ, ele sempre defendeu o contato direto com as pessoas e o olhar atento às entrelinhas, resumindo que, em muitas ocasiões, o silêncio de uma entrevista diz mais do que as palavras.
Sua produção literária transformou grandes coberturas em obras de referência nacional. Com “1968 — O ano que não terminou”, livro que inspirou a minissérie Anos Rebeldes, registrou as tensões do regime militar, pelo qual chegou a ser preso por três meses após a decretação do AI-5. Em “Cidade partida”, obra vencedora do Prêmio Jabuti, investigou a violência e a segregação no Rio de Janeiro a partir da chacina de Vigário Geral. A cobertura sobre a morte de Chico Mendes renderia os prêmios Esso e Vladimir Herzog, consolidando-se no livro “Chico Mendes — Crime e castigo”.
O reconhecimento do trabalho ultrapassou as redações e culminou com sua eleição para a Cadeira 32 da ABL em 2014, sucedendo o escritor Ariano Suassuna. Ao longo da vida, recebeu prêmios internacionais por sua atuação em defesa dos direitos humanos e foi homenageado em premiações como o Faz Diferença. Zuenir Ventura deixa a esposa, Mary Ventura, e dois filhos, Mauro e Elisa.
Conclusão
A partida de Zuenir Ventura encerra um ciclo histórico do jornalismo impresso e da literatura de não ficção no Brasil. Mestre em transformar conflitos complexos e realidades sociais em narrativas humanas e acessíveis, o escritor deixa um acervo vivo que permanece como consulta obrigatória para a compreensão do país. Seu legado de escuta, compromisso ético com a verdade e defesa da democracia continuará a inspirar gerações de comunicadores e leitores. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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