Brasil
“Barriga de chopp” e gordura abdominal: risco silencioso para o coração
Estudo aponta que acúmulo de gordura na região do abdômen pode ser mais perigoso do que o peso indicado pela balança
A distribuição da gordura corporal pode ser mais determinante para a saúde do coração do que o número mostrado na balança, especialmente entre homens. Essa é a principal conclusão de um estudo apresentado no final de 2025, durante o congresso da Sociedade Radiológica da América do Norte, nos Estados Unidos. A pesquisa analisou mais de 2.200 adultos, entre 46 e 78 anos, submetidos a exames detalhados de ressonância magnética do coração.
Os pesquisadores observaram que o acúmulo de gordura abdominal, popularmente conhecido no Brasil como “barriga de chopp”, esteve associado a alterações cardíacas mais preocupantes do que aquelas relacionadas apenas ao excesso de peso total. O alerta reforça que nem sempre o risco está ligado à obesidade visível, mas sim ao tipo e ao local onde a gordura se concentra.
De acordo com o docente de nutrição da Faculdade Serra Dourada de Lorena, Rodrigo Baracho, a gordura abdominal merece atenção especial por estar diretamente ligada à gordura visceral, que se deposita profundamente no abdômen, ao redor de órgãos vitais como o fígado. Esse tipo de gordura atua de forma silenciosa no organismo e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.
Ao comentar por que esse tipo de gordura é considerado mais perigoso para o coração, o nutricionista explica que o problema vai além da aparência. “Na maioria das vezes, ela não é só gordura superficial. Estamos falando de gordura visceral, aquela que fica ao redor dos órgãos. Esse tipo de gordura é metabolicamente ativa, inflamatória e bagunça o metabolismo”, destaca. Segundo ele, esse acúmulo interfere na ação da insulina, eleva processos inflamatórios e impacta pressão arterial e colesterol.
Sobre as consequências para a saúde, o especialista alerta que os riscos são amplos e nem sempre perceptíveis. “Hipertensão, aterosclerose, infarto, AVC, alterações de colesterol e diabetes tipo 2 estão entre as doenças mais associadas”, explica. Ele chama atenção para o fato de que esses problemas podem surgir mesmo em pessoas que não se consideram obesas, já que o fator decisivo é onde a gordura está concentrada.
Questionado sobre o papel do consumo de álcool, Rodrigo esclarece que ele contribui, mas não age sozinho. “O álcool favorece o acúmulo de gordura visceral e sobrecarrega o fígado, principalmente quando o consumo é frequente”, pontua. No entanto, hábitos como sono ruim, alimentação inflamatória, sedentarismo, estresse crônico e excesso de calorias têm impacto significativo. “Na prática, é o conjunto da rotina que constrói essa barriga”, completa.
“Organização alimentar, proteína adequada para preservar massa muscular, menos carboidrato refinado, gordura de melhor qualidade, hidratação e treino de força. Músculo é proteção metabólica. Dormir melhor, reduzir álcool, controlar estresse e manter constância fazem muito mais diferença do que qualquer estratégia milagrosa”, conclui Baracho. Podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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