Brasil
VENDAVAL NO RIO|A Região Metropolitana do Rio de Janeiro ainda enfrenta os reflexos do forte vendaval que atingiu o estado na quarta-feira (29), provocando um cenário de destruição em diversos municípios
Mesmo com a melhora das condições meteorológicas, cerca de 370 mil clientes da Light permanecem sem fornecimento de energia elétrica na manhã desta quinta-feira (30), principalmente na capital e em Duque de Caxias. A tempestade deixou pelo menos duas pessoas mortas, uma desaparecida e causou centenas de ocorrências relacionadas à queda de árvores, postes e danos à rede elétrica.
As equipes da concessionária trabalham desde a madrugada para restabelecer o serviço, mas a complexidade dos danos e a quantidade de pontos afetados dificultam a normalização do fornecimento. Em muitos locais, os cabos foram rompidos por árvores de grande porte, exigindo que equipes da Defesa Civil, da Comlurb e da Light atuem de forma conjunta para liberar as vias antes do início dos reparos na rede elétrica.
Os bairros mais afetados pela interrupção de energia são Campo Grande, Bangu, Anchieta, Tijuca, Grajaú, Vila Isabel, Catumbi, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio dos Bandeirantes. Além dos transtornos provocados pela falta de luz, moradores relatam prejuízos com alimentos perdidos, interrupção do abastecimento de água em alguns imóveis, dificuldades para trabalhar em home office e problemas no funcionamento de estabelecimentos comerciais que dependem de energia para manter suas atividades.
De acordo com o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), pelo menos 27 ocorrências de queda de árvores permaneciam em aberto durante a madrugada desta quinta-feira. Os registros estão distribuídos por bairros das zonas Norte, Sul e Oeste, incluindo Bento Ribeiro, Engenho Novo, Tijuca, Copacabana, Botafogo, Padre Miguel, Bangu e Campo Grande. Ao longo da noite, a Prefeitura contabilizou mais de 50 chamados envolvendo árvores caídas, além de dezenas de ocorrências de galhos sobre a rede elétrica e a queda de um poste na Rua Zâmbia, em Bangu.
O temporal foi provocado pela chegada de uma frente fria acompanhada por uma intensa massa de ar frio, responsável por rajadas de vento consideradas excepcionais para a capital fluminense. A maior velocidade foi registrada no Aeroporto Internacional do Galeão, onde os ventos atingiram 105,6 km/h. Outras estações meteorológicas também registraram índices elevados, como Marambaia (95,4 km/h), Seropédica (90 km/h), Paraty (88,6 km/h) e Vila Militar (87,5 km/h). Segundo especialistas, ventos com essa intensidade têm potencial para derrubar árvores, destelhar imóveis, comprometer estruturas e provocar interrupções de grande escala no fornecimento de energia.
Os impactos também foram sentidos na mobilidade urbana. Embora os sistemas de BRT, ônibus municipais, metrô e barcas tenham retomado a operação normal nesta quinta-feira, o ramal Saracuruna ainda apresenta restrições. Os passageiros enfrentam intervalos maiores entre Gramacho e Central do Brasil e precisam realizar baldeação na estação Campos Elíseos para seguir em direção a Saracuruna, devido aos danos causados pela tempestade na infraestrutura ferroviária.
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros permaneceram mobilizados durante toda a madrugada para atender ocorrências de risco, realizar cortes de árvores, remover obstáculos das vias e garantir a segurança da população. As autoridades orientam que moradores evitem se aproximar de fios caídos ou postes danificados e comuniquem imediatamente a concessionária ou os órgãos de emergência caso identifiquem situações de perigo.
Apesar dos estragos, a previsão do tempo indica que o cenário tende a se estabilizar. De acordo com os meteorologistas, a frente fria responsável pelo vendaval já se deslocou para o oceano, reduzindo significativamente o risco de novas rajadas intensas. A expectativa é de ventos mais fracos nos próximos dias, permitindo que as equipes concentrem esforços na recuperação da rede elétrica, na remoção dos danos e no restabelecimento gradual da normalidade nas áreas mais afetadas.
Enquanto isso, milhares de moradores seguem convivendo com os transtornos provocados por um dos episódios de vento mais intensos registrados no estado nos últimos anos, evidenciando a vulnerabilidade da infraestrutura urbana diante de eventos climáticos extremos, que têm se tornado cada vez mais frequentes e desafiadores para os serviços públicos e concessionárias de energia. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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