Brasil
TERREMOTO NA VENEZUELA
As equipes brasileiras enviadas para auxiliar nas operações de resgate após os terremotos que devastaram a Venezuela intensificaram as buscas por sobreviventes soterrados nas áreas mais atingidas.
A missão humanitária, formada por cerca de 130 profissionais, desembarcou no país na sexta-feira (26) e atua de forma integrada com autoridades venezuelanas e equipes internacionais em uma força-tarefa que concentra esforços no salvamento de vítimas e no atendimento à população afetada.
As primeiras horas após um grande terremoto são consideradas decisivas para localizar pessoas com vida sob os escombros. Por isso, a operação brasileira reúne especialistas em busca e salvamento em estruturas colapsadas, bombeiros altamente treinados, médicos, profissionais de saúde, cães farejadores e técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que utilizam equipamentos capazes de detectar sinais emitidos por telefones celulares, aumentando as chances de localizar vítimas presas entre os destroços.
O chefe da missão brasileira, Armin Braun, explicou que todas as equipes trabalham com prioridade absoluta na identificação de possíveis sobreviventes. Segundo ele, sempre que há qualquer indício de vida, é iniciado um trabalho minucioso de avaliação da estabilidade da estrutura, remoção controlada dos escombros e acesso seguro ao local, reduzindo os riscos tanto para as vítimas quanto para os socorristas.
Braun destacou que, embora as primeiras 72 horas sejam consideradas o período de maior probabilidade para o resgate de sobreviventes, a experiência internacional demonstra que pessoas já foram encontradas com vida vários dias após terremotos de grande magnitude. Casos registrados em diferentes países mostram que bolsões de ar, condições favoráveis e a rapidez das equipes podem ampliar essa janela de sobrevivência, motivo pelo qual as buscas continuam de forma ininterrupta.
Além das operações de resgate, o Brasil instalou um hospital de campanha para reforçar o atendimento médico nas regiões onde hospitais e unidades de saúde foram destruídos ou ficaram comprometidos pelos tremores. A estrutura oferece atendimento de urgência, estabilização de pacientes e suporte aos serviços locais de saúde, que operam sob forte pressão desde a tragédia.
A atuação brasileira também inclui a distribuição de ajuda humanitária, como alimentos, água potável, medicamentos, kits de higiene e outros itens essenciais para milhares de famílias que perderam suas casas. Paralelamente, especialistas trabalham na avaliação de áreas de risco, contribuindo para evitar novos acidentes provocados por desabamentos e possíveis tremores secundários.
De acordo com Armin Braun, toda a operação é coordenada em conjunto com o governo da Venezuela, a Embaixada do Brasil e o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), garantindo a integração entre os diferentes países envolvidos na resposta à emergência e permitindo uma melhor distribuição dos recursos disponíveis.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou a morte de dois brasileiros durante a tragédia: Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, e o pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos. Enquanto as equipes seguem mobilizadas nas áreas mais afetadas, autoridades brasileiras afirmam que o objetivo permanece concentrado em salvar o maior número possível de vidas, prestar assistência às vítimas e colaborar com a recuperação das regiões devastadas pelos terremotos. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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