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REDE DE ANABOLIZANTES

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Uma operação de grande porte deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta quarta-feira (12) mira uma organização criminosa suspeita de atuar na fabricação clandestina e na distribuição de anabolizantes, medicamentos de uso controlado e termogênicos adulterados para diferentes regiões do país.

A investigação aponta que o grupo mantinha uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e núcleos responsáveis por diferentes etapas da atividade ilegal.

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 45 mandados de prisão preventiva e 50 de busca e apreensão. As medidas são realizadas no Distrito Federal e em pelo menos seis estados, em uma ação que busca interromper a cadeia de produção, divulgação e comercialização dos produtos.

Além das prisões e buscas, foi determinado o bloqueio de R$ 32 milhões relacionados aos investigados. A medida tem como objetivo impedir que os suspeitos movimentem ou ocultem recursos que, segundo a investigação, podem ter origem nas atividades criminosas.

A operação também prevê a apreensão de 11 veículos de luxo e a interdição de 13 estabelecimentos comerciais que teriam alguma relação com o esquema. No ambiente digital, 22 perfis em redes sociais foram retirados do ar por supostamente serem utilizados para divulgar e comercializar os produtos.

Entre os principais alvos das ordens de prisão estão Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como “Jiraiya” e apontado pela polícia como chefe do esquema, além da influenciadora digital Ana Luiza de Nazaré Lima e Alam Manoel Lima.

Celular foi peça-chave para revelar a organização

O avanço da investigação ocorreu após uma etapa anterior da apuração, quando policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de um suspeito apontado como integrante de um dos núcleos da organização.

Durante a ação, um aparelho celular foi apreendido. A análise do conteúdo encontrado no dispositivo, segundo a Polícia Civil, revelou uma série de conversas que ajudaram os investigadores a compreender o funcionamento do grupo.

As mensagens teriam apresentado informações sobre negociações, distribuição de tarefas e contatos entre diferentes integrantes. A partir desse material, os policiais conseguiram identificar uma estrutura que não dependia de uma única pessoa para executar todas as etapas do negócio.

Segundo a investigação, havia integrantes responsáveis por obter matérias-primas e insumos, produzir os produtos, armazenar mercadorias, realizar a divulgação, fazer recomendações aos consumidores e efetuar as vendas e a distribuição.

Esse modelo teria permitido que a organização mantivesse uma cadeia de produção e comercialização com diferentes participantes, dificultando a identificação imediata de todos os envolvidos.

Produtos eram divulgados pelas redes sociais

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a utilização das redes sociais como ferramenta de divulgação. Perfis foram empregados, segundo a apuração, para apresentar os produtos, atrair consumidores e facilitar o contato com potenciais compradores.

A presença de influenciadores e perfis com grande alcance pode ter ampliado a capacidade de distribuição do grupo, especialmente entre pessoas interessadas em ganho de massa muscular, redução de gordura corporal e aumento do desempenho físico.

A retirada de 22 perfis do ar faz parte justamente da estratégia de interromper esse canal de divulgação e dificultar a continuidade das vendas pela internet.

A investigação também busca esclarecer se os responsáveis pelas páginas tinham conhecimento da origem e das condições de fabricação dos produtos comercializados.

Risco vai além do uso sem orientação médica

A preocupação das autoridades não está relacionada apenas ao uso de anabolizantes sem acompanhamento profissional. Produtos fabricados clandestinamente podem apresentar riscos adicionais porque não necessariamente passam pelos mesmos controles de qualidade, composição, armazenamento e fiscalização exigidos para medicamentos regularizados.

No caso de substâncias adulteradas ou de origem desconhecida, o consumidor pode não ter segurança sobre qual substância está realmente presente, em que quantidade foi utilizada e quais condições foram empregadas durante a fabricação.

Anabolizantes e outros medicamentos de uso controlado também podem provocar efeitos adversos quando utilizados de maneira inadequada, principalmente em doses elevadas ou sem acompanhamento médico.

A situação se torna ainda mais preocupante quando produtos são vendidos como suplementos, termogênicos ou substâncias destinadas à melhoria estética e esportiva, criando a impressão de que seriam alternativas de baixo risco.

Investigação mapeou diferentes estados

Com a análise das informações obtidas durante as diligências, os investigadores passaram a identificar conexões entre pessoas e empresas envolvidas na cadeia de produção e distribuição.

O trabalho permitiu, segundo a polícia, mapear fornecedores, locais utilizados para fabricação ou armazenamento, estabelecimentos comerciais, canais de divulgação e pessoas responsáveis pela movimentação financeira.

A atuação em diferentes unidades da Federação indica que o esquema teria alcançado uma dimensão nacional. Por isso, a operação foi estruturada para atingir simultaneamente diferentes pontos considerados estratégicos para o funcionamento da organização.

A apreensão de veículos, documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais também deverá contribuir para a continuidade da investigação e para a identificação de novos possíveis integrantes.

Dinheiro e patrimônio também estão no foco

O bloqueio judicial de R$ 32 milhões demonstra que a investigação não está concentrada apenas na prisão dos suspeitos. A estratégia também busca atingir a estrutura financeira que sustentaria o esquema.

O levantamento patrimonial poderá ajudar a polícia a identificar possíveis bens adquiridos com recursos provenientes das atividades investigadas, além de movimentações financeiras entre integrantes e empresas.

Os veículos de luxo que serão apreendidos também passam a ser analisados dentro desse contexto. Caso seja comprovada a relação dos bens com recursos de origem ilícita, eles poderão ficar sujeitos às medidas judiciais determinadas no decorrer do processo.

Operação tenta interromper toda a cadeia

Ao atingir simultaneamente pessoas, estabelecimentos, veículos, perfis digitais e recursos financeiros, a operação procura desmontar diferentes pontos da estrutura atribuída à organização.

A investigação ainda deve avançar após o cumprimento dos mandados. O material apreendido será analisado pelos investigadores e poderá revelar novos fornecedores, compradores, intermediários e possíveis integrantes do grupo.

Os suspeitos são investigados dentro das medidas determinadas pela Justiça e terão direito à defesa e ao devido processo legal. A confirmação das responsabilidades individuais dependerá do avanço das investigações e das decisões judiciais.

A operação representa, segundo a Polícia Civil, uma tentativa de interromper uma cadeia clandestina que utilizava produção ilegal, comércio, redes sociais e uma estrutura financeira organizada para colocar produtos de procedência irregular no mercado consumidor de diferentes partes do país. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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