Brasil
Novembro Dourado alerta para riscos do sol na infância
Dermatologista alerta que a exposição solar sem proteção nos primeiros anos de vida pode causar graves danos à pele.
O Novembro Dourado é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer infantojuvenil, uma campanha que busca sensibilizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado das doenças oncológicas que atingem crianças e adolescentes. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse grupo de doenças é a principal causa de morte por enfermidade entre pessoas de 1 a 19 anos no Brasil.
Embora o foco da campanha seja o câncer infantojuvenil em geral, a prevenção do câncer de pele começa ainda na infância — e esse é um ponto que merece atenção. A dermatologista Elisabeth Lima, que atua com ênfase em dermatologia oncológica, destaca que os hábitos de exposição solar adquiridos nos primeiros anos de vida influenciam diretamente o risco de desenvolver a doença na idade adulta.
“A pele tem memória. Os danos causados pelo sol na infância e na adolescência se acumulam e podem se manifestar décadas depois, aumentando consideravelmente as chances de câncer de pele”, explica a médica.
Apesar do problema ser mais frequente em adultos, crianças também podem apresentar tipos mais raros de tumores cutâneos, como o melanoma e o carcinoma de células de Merkel.
“Esses tumores são incomuns na infância, mas existem. Tanto o melanoma quanto o carcinoma de células de Merkel podem atingir crianças, especialmente quando há predisposição genética e exposição solar sem proteção”, alerta a dermatologista.
Estudos indicam que pessoas que tiveram exposição solar intensa e sem cuidados na infância e adolescência podem ter até 80% mais risco de desenvolver câncer de pele após os 40 anos. Por isso, Elisabeth reforça que a proteção solar deve ser incorporada à rotina desde cedo, com uso de roupas adequadas, chapéus, óculos escuros e protetor solar infantil — sempre reaplicado ao longo do dia.
Cuidados que devem começar desde cedo
Segundo a especialista, o uso do protetor solar é indicado a partir dos seis meses de idade. Antes disso, a pele do bebê é muito sensível e pode reagir aos componentes químicos do produto.
“Para os menores de seis meses, o ideal é evitar o sol direto e apostar na proteção física com roupas leves, de manga longa, chapéus e tecidos com fator de proteção UV”, orienta a médica.
Após essa fase, o uso do protetor solar infantil com filtros minerais (como óxido de zinco e dióxido de titânio) e fator acima de 30 é essencial. O produto deve ser reaplicado a cada duas horas ou sempre que a criança suar, entrar na água ou se secar com a toalha.
A dermatologista também reforça a importância de evitar o sol entre 11h e 15h, quando a radiação ultravioleta é mais intensa, e lembrar que até a sombra e as superfícies refletem luz solar, aumentando a exposição.
“Areia, água e concreto refletem os raios solares. Por isso, mesmo na sombra, é importante manter o protetor solar e as roupas adequadas”, destaca.
Além do protetor, Elisabeth recomenda uma série de hábitos fotoprotetores que devem ser incorporados à rotina familiar:
Usar roupas de manga longa e tecidos de trama mais fechada;
Optar por chapéus de aba larga e óculos escuros com proteção UV;
Reforçar a hidratação da pele, especialmente após o sol;
Ensinar as crianças sobre a importância desses cuidados, para que cresçam com o hábito de se proteger.
Sobre a especialista
Elisabeth Lima é dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em Hanseníase pela Sociedade Brasileira de Hansenologia. Com 35 anos de carreira, é referência no diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças inflamatórias e autoimunes da pele, atuando também com ênfase em dermatologia oncológica. A médica se destaca por atender casos complexos e por sua contribuição para o avanço do conhecimento na área dermatológica.
Podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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