Brasil
Mercado financeiro prevê novo corte na Selic e reduz estimativa de inflação para 2026, aponta Boletim Focus
Os economistas consultados pelo Banco Central mantiveram a expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (14), o mercado prevê a redução da taxa dos atuais 14% para 13,75% ao ano — nível em que a Selic deve encerrar 2026, marcando o encerramento do ciclo de cortes neste ano. Para os anos seguintes, as projeções seguem mantidas em 12% para 2027, 10,5% para 2028 e 10% para 2029.
Paralelamente, a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 caiu de 5% para 4,9%. Trata-se do menor patamar previsto desde maio, interrompendo um ciclo de altas que atingiu o pico de 5,33% em junho. A despeito do recuo, a estimativa segue acima do teto da meta de inflação fixada para o ano, estabelecida em 3% com limite de tolerância de até 4,5%. Para 2027, o mercado elevou levemente a previsão do IPCA de 4,29% para 4,30%, mantendo 3,8% para 2028 e 3,5% para 2029.
A melhora nas perspectivas de inflação foi impulsionada pela deflação de 0,32% registrada pelo IBGE no mês de agosto — a primeira queda do índice em doze meses, que desacelerou a inflação acumulada para 4,22%. O resultado refletiu o alívio temporário da energia elétrica residencial decorrente do Bônus de Itaipu, somado a quedas nos preços de combustíveis, alimentos e passagens aéreas. Embora confirme a desaceleração de curto prazo e apoie a redução da Selic, analistas ponderam que o efeito pontual do desconto na conta de luz exige cautela por parte da autoridade monetária.
Em contrapartida à revisão favorável da inflação, a estimativa do mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi ajustada para baixo, passando de 1,93% para 1,89%, o menor nível previsto desde o final de maio. Por fim, as projeções para o câmbio permaneceram estáveis pela 13ª semana consecutiva, com a cotação do dólar estimada em R$ 5,20 para o fechamento de 2026.
Conclusão
Os dados mais recentes do Boletim Focus refletem um momento de transição delicado para a economia brasileira, em que o alívio temporário da inflação abre espaço para o ajuste final na taxa de juros sem afastar as preocupações com a atividade econômica. A combinação de deflação pontual em agosto e redução nas projeções do PIB reforça a necessidade do Copom em dosar a condução da política monetária de forma a assegurar a convergência da inflação em direção à meta sem comprometer ainda mais o ritmo de crescimento do país. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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