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“Margarida: Pra Você Lembrar de Mim” estreia na Paraíba com sessão gratuita em Sousa

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Espetáculo da multiartista e indígena Kariri Luz Bárbara chega à terra natal de Margarida Maria Alves nesta sexta-feira, 29 de maio

“Margarida: Pra Você Lembrar de Mim” estreia na Paraíba nesta sexta-feira, 29 de maio, às 19h, no Banco do Nordeste Cultural de Sousa (PB). A entrada é gratuita — 50% dos ingressos estão disponíveis antecipadamente na plataforma OutGo — e a classificação indicativa é de 12 anos.

A estreia paraibana tem um significado especial: o espetáculo chega ao estado natal de Margarida Maria Alves, a líder sindical cuja história dá vida e forma à peça, nascida no agreste paraibano, em Alagoa Grande (PB) – e que também é a terra natal da artista e criadora do espetáculo, Luz Bárbara. Paraibana radicada em São Paulo, Bárbara atua em sua produção artística salvaguardando e projetando a cultura indígena de seu povo em outras regiões do país.

Quem foi Margarida Maria Alves?

Trabalhadora rural e líder sindical, Margarida Maria Alves moveu mais de 600 ações trabalhistas em 12 anos de mandato, todas ganhas. Lutava por direitos básicos como salário digno, férias, carteira assinada e regulamentação da jornada de trabalho. Também participou da criação do Movimento de Mulheres do Brejo (MMB), uma das primeiras organizações de mulheres da América Latina.

Em 12 de agosto de 1983, foi assassinada aos 51 anos na porta de casa, diante do marido, do filho e de vizinhos, após anos enfrentando usineiros, fazendeiros e políticos da região. Reconhecida como anistiada política em 2016, é homenageada na Marcha das Margaridas — maior encontro de mulheres da América Latina — realizada a cada quatro anos em Brasília desde 2000.

Como o espetáculo reconstrói a memória de Margarida

A dramaturgia do espetáculo conta com sons, manipulação de objetos, interação com o público, abertura de câmera ao vivo e projeções audiovisuais. Esses recursos recontam fatos históricos pouco conhecidos, tornando a memória um elemento palpável e compartilhado com o espectador.
O objetivo estético se potencializa assim: dar forma poética, visual e cênica à memória. O espetáculo reconstrói lembranças entre passado e presente, entre indivíduo e coletividade, revivendo a trajetória de Margarida Maria Alves e evocando a ancestralidade do povo Kariri.

Luz Bárbara: a artista que carrega Margarida de volta para casa

Luz Bárbara dirige e protagoniza o projeto. Natural da Paraíba, migrou para São Paulo, onde fortaleceu sua identidade Kariri e se reconectou com saberes antigos do seu povo. Sua relação com Margarida é de intersecção: migração nordestina, ancestralidade e resistência. Bárbara conta e reconta a história da heroína com respeito e afeto, reacendendo a memória da sindicalista em um retorno simbólico à sua terra e ao seu túmulo.
“Lembrar é resistir.”
— Luz Bárbara

Com essa afirmação, a artista destaca que a montagem não apenas homenageia Margarida, mas também reencanta a memória ancestral do povo Kariri e de tantas mulheres do campo.

A dramaturgia publicada: indígenas em cena no Brasil e na América Latina
Em 2023, a obra foi publicada pela N-1 Edições, dentro da Caixa de Dramaturgias Indígenas. O livro reúne 11 dramaturgias de artistas indígenas do Brasil, Chile e Argentina, abordando autoficção e questões contemporâneas como retomada de territórios e identidade de gênero.
Podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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