Brasil
Marcia Camargos lança “Meu primo do Benim”
- Duda Tawil
Certo dia, Francisco recebe uma mensagem que o deixa intrigado. Alguém de um país africano distante, sobre o qual nunca tinha ouvido falar, insiste que eles são parentes, pois ambos têm o mesmo sobrenome. Desconfiado, o protagonista desta história consulta um velho Atlas, e como não encontra nenhuma referência a respeito, suspeita de um tipo de trote.
Depois de falar com sua mãe, fica sabendo que o país chamava-se Daomé até 1975, e por isso não aparecia nos mapas mais antigos. Ela também esclarece a coincidência do sobrenome. Depois da abolição, muitos dos libertos pela Lei Áurea retornaram à terra dos seus ancestrais, levando consigo costumes e nomes brasileiros para o atual Benim, onde são conhecidos como “agudás”.
Após essas explicações, Chico decide responder, contando um pouco sobre a sua vida, a origem do seu nome, inspirado em Zumbi dos Palmares, que fora batizado Francisco, além de descrever as festas populares de Salvador, Bahia, onde ele mora com seus pais.
Do outro lado do Atlântico, Guézo relata o cotidiano da sua numerosa família. Ele fala dos parques, da cidade flutuante sobre palafitas, dos animais selvagens, da savana africana, do Templo das Pythons, dos idiomas fon e iorubá, da culinária temperada com azeite de dendê. Desperta ainda mais a curiosidade do “primo”, ao mencionar o exército das Ahosi, mulheres guerreiras caçadoras de elefantes, e dos rituais da religião vodu, parecidos com os do candomblé, que Chico conhecia por intermédio de sua avó.
Ao longo da troca de mensagens, repleta de informações históricas e culturais, o menino descobre que, no passado, Benim foi o principal ponto de embarque dos africanos escravizados trazidos ao Brasil. A partir daí, questões como racismo, a prática da escravidão existente antes da chegada dos europeus, que vieram romper o tradicional equilíbrio de poder entre as comunidades, abrindo caminho para o colonialismo e o tráfico intercontinental, são abordados com respeito e delicadeza.
Tecendo uma rede entre os respectivos costumes e tradições, Chico amadurece, tomando consciência das suas próprias raízes. Na conversa entre mundos aparentemente distintos, uma ponte vai sendo construída, ilustrando e fortalecendo os laços comuns entre esses dois povos, unidos pela ancestralidade africana.
por Marcia Camargos
Eventos de lançamento do livro
- 7 de fevereiro, 15h: sede da Editora Expressão Popular., Armazém do Campo. Santa Cecília – SP
- 21 de março: V Salão do Livro Africano de Paris
Foto: a escritora e jornalista Marcia Camargos (Júlia Aldenucci/divulgação)
-
Esporte1 semana atrásSANTANA DOS MONTES RUMO AO CINTURÃO: 6 ATLETAS CONFIRMADOS NO KING OF X1 EM BELO VALE
-
Religião2 semanas atrásMinistério Ágape celebra 35 anos do Brilho Celeste com grande festividade em Piranema
-
Brasil1 semana atrásSTF garante piso salarial para professores temporários e fixa regras para retroativos
-
Esporte2 semanas atrásFlamengo vira alvo de memes nas redes e torcedores criticam Bap após eliminação para o Estudiantes na Libertadores
-
Brasil2 semanas atrásSMTE abre 1.623 vagas de emprego no Rio de Janeiro nesta semana com opções para PCDs e primeiro emprego
-
Entretenimento1 semana atrásEdno Mariano prestigia os 5 anos da Teka Modas em celebração marcada por gratidão e conquistas
-
Brasil1 semana atrásInadimplência das famílias atinge recorde de 6% e endividamento supera 50%, aponta Banco Central
-
Brasil1 semana atrásNiterói anuncia Gilberto Gil e João Gomes para aniversário e Réveillon
