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Brasil

Inadimplência e dívidas das famílias atingem maior nível em 21 anos no Brasil

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O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC) revelou que o comprometimento do orçamento das famílias com dívidas alcançou o maior nível em 21 anos. Os dados mostram que a parcela dos empréstimos com problemas de pagamento atingiu patamares elevados, com os ativos problemáticos representando 9,2% do crédito às pessoas físicas em junho de 2026.

O indicador englobou transações com atraso superior a 90 dias ou com indícios de que não serão integralmente quitadas. O percentual tem apresentado alta anual consecutiva desde 2012. Pouco antes de junho, o índice havia atingido 9,3%, tendo o ponto mais baixo registrado em 6,3% no ano de 2021.

Apesar da alta do salário médio e da queda contínua no desemprego, o endividamento está concentrado, em sua maioria, em pessoas de menor renda com o uso de modalidades de crédito mais caras, como o cartão de crédito e o empréstimo pessoal sem garantia.

Todas as linhas de crédito registraram piora ao longo do primeiro semestre. Todas as categorias atingiram os maiores patamares de suas séries históricas: cartão de crédito, crédito rural, financiamento de veículos e crédito consignado.

No cartão de crédito, os ativos problemáticos alcançaram 13,2% e fecharam junho em 12,7%. No crédito rural, o percentual foi de 10,3%; no financiamento de veículos, de 8,5%; e no consignado, de 5%.

A maior taxa entre as linhas analisadas, no entanto, foi registrada no crédito pessoal não consignado, atingindo 14,9%. O resultado ficou abaixo do recorde histórico de 16,5%, apurado em 2016.

Em junho, cerca de 20,3 milhões de pessoas se enquadravam no critério de “endividados de risco” do Banco Central. O grupo correspondia a 17% dos devedores do sistema financeiro, registrando uma expansão de 75% em relação a junho de 2021.

O Banco Central aponta a inadimplência como a principal causa para a alta dos ativos problemáticos. Contudo, parte desse crescimento também decorre de alterações nas regras de contabilização das operações financeiras . Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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