Mundo
Em despedida da Assembleia Geral da ONU, Guterres alerta para guerras e riscos da inteligência artificial
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, abriu a 81ª Assembleia Geral da entidade com um discurso incisivo sobre as crescentes divisões geopolíticas, a degradação do direito internacional e as ameaças trazidas pelo avanço desmedido da inteligência artificial. Em sua última fala no principal palco multilateral como chefe da ONU — com mandato até dezembro —, o diplomata português de 77 anos pediu cooperação global diante de um cenário de conflitos prolongados e profunda redistribuição do poder global.
Ao avaliar a conjuntura internacional, Guterres destacou o agravamento de crises humanitárias e o desrespeito às leis de guerra, lembrando que civis e trabalhadores de ajuda humanitária continuam sendo alvos e a fome vem sendo usada como armamento. Diante dessa realidade, questionou os líderes mundiais se o poder continuará sendo exercido com base na coerção e na força ou na cooperação e na lei. Ele enfatizou que o mundo enfrenta escolhas decisivas sobre o uso do poder entre governos, corporações e a sociedade.
Paralelamente às guerras operacionais, a inteligência artificial ocupou lugar de destaque no alerta do secretário-geral. Guterres afirmou que a tecnologia avança a uma velocidade que já supera a capacidade humana de compreensão e controle, citando a apreensão de desenvolvedores que admitem limitações na supervisão das ferramentas. O diplomata chamou a atenção para o risco de delegação de decisões humanas às máquinas, ressaltando o surgimento de armas autônomas no campo militar enquanto os sistemas de governança global permanecem obsoletos.
Para ilustrar o tamanho do desafio, Guterres comparou a urgência no controle da IA aos acordos nucleares firmados durante a Guerra Fria, em que países rivais uniram forças para evitar catástrofes. O líder da ONU defendeu que a organização é o fórum legítimo para desenhar regras globais sobre o tema e apelou para que as nações líderes em tecnologia compartilhem dados de risco e construam salvaguardas conjuntas. Ele reforçou a necessidade de proteger crianças do uso não regulamentado dessas plataformas e condenou expressamente o desenvolvimento de “robôs assassinos”, afirmando que máquinas não devem ter o poder de decisão sobre vidas humanas.
Conclusão
O balanço final de António Guterres na liderança da ONU deixa um diagnóstico contundente e um apelo urgente para a comunidade internacional. Com a iminência da escolha do seu sucessor, a mensagem central aponta que o futuro da governança global dependerá da capacidade dos países de conter o uso arbitrário da força e estabelecer limites éticos claros para as novas tecnologias, garantindo que o progresso científico sirva à proteção da humanidade, e não à sua fragmentação. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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