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Brasil

Desabamento no Cosme Velho expõe risco em centenas de imóveis antigos no Rio

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O desabamento parcial de um casarão no Cosme Velho, na Zona Sul do Rio, que deixou uma mulher e a filha de 2 anos feridas no último sábado (19), acendeu um alerta sobre a conservação do patrimônio imobiliário da cidade. Na região do Centro, um levantamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU), divulgado pelo jornal O GLOBO, aponta que 887 construções estão em mau estado de conservação, sendo 775 classificadas como “ruim” e 112 em condição “péssima”.

Embora a classificação não implique risco iminente de colapso para todos os endereços — o que exige vistorias específicas —, o cenário impulsionou ações do poder público. A Prefeitura do Rio deu início ao processo de desapropriação de sete propriedades deterioradas no Centro, localizadas nas ruas Barão de São Félix e Leandro Martins.

Desapropriações e leilão de imóveis tombados

As medidas de intervenção também foram aceleradas no Cosme Velho após o acidente. Na segunda-feira (21), o município decretou a desapropriação dos imóveis nos números 362 e 370. No dia seguinte, a lista incluiu outros dois endereços históricos do bairro, tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac): a antiga residência do pintor Candido Portinari (nº 343) e o Solar dos Abacaxis (nº 857).

No caso das propriedades tombadas, a desapropriação ocorrerá por hasta pública. Esse modelo prevê a venda dos bens em leilão, transferindo aos compradores privados a responsabilidade financeira pelas indenizações aos antigos proprietários e pela recuperação do patrimônio.

Especialistas cobram rigor e destacam dever dos proprietários

Entidades do setor técnico reforçam a necessidade de ações mais profundas. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU-RJ) ressalta que o mapeamento atual é insuficiente para identificar a gravidade estrutural de cada edificação, enquanto o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ) lembra que a manutenção e a segurança das estruturas cabem legalmente aos proprietários dos imóveis.

Conclusão

O acidente no Cosme Velho evidencia a urgência em conciliar a preservação histórica com a segurança pública no Rio de Janeiro. Ao recorrer a leilões públicos e desapropriações, a prefeitura tenta transferir a recuperação de construções degradadas à iniciativa privada, mas a extensão do problema — com centenas de imóveis deteriorados no Centro — exige vistorias contínuas e fiscalização rigorosa sobre os proprietários para evitar novas tragédias. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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