Brasil
CULTURA|Dani Monteiro lança livro que debate criminalização do funk e valoriza a produção cultural das periferias
A relação entre cultura popular, cidadania e reconhecimento social é o tema central de um novo livro que chega ao público neste sábado (20), no Rio de Janeiro. A deputada estadual Dani Monteiro (Psol) lança a obra “MC Não é Bandido: Leituras do Real Brasil”, publicação que reúne reflexões de artistas, pesquisadores, comunicadores e ativistas sobre o papel das manifestações culturais produzidas nas favelas e periferias brasileiras.
O lançamento acontecerá no Centro Cultural Cortiço Carioca, na Lapa, durante a celebração dos 15 anos da Editora Oficinar. Com 156 páginas, o livro nasce a partir da campanha institucional de mesmo nome conduzida pela parlamentar e propõe uma discussão sobre a forma como expressões culturais periféricas, especialmente o funk e o hip-hop, ainda enfrentam estigmas e preconceitos em diferentes espaços da sociedade.
A publicação reúne contribuições de nomes ligados à cultura, à pesquisa acadêmica e aos movimentos sociais, entre eles Raull Santiago, Tamiris Coutinho, Rico Mesquita, DK47 e MC Nem. O livro também conta com participações de MC Cabelinho, Katiuscia Ribeiro, BK’ e Ebony.
Cultura além dos estereótipos
Segundo Dani Monteiro, a proposta da obra é ampliar o debate sobre a importância da cultura produzida nas periferias e questionar a associação histórica dessas manifestações à criminalidade.
“A cultura popular não pode ser tratada como caso de polícia. O funk, o rap e outras expressões periféricas são formas legítimas de produção artística, geração de renda, construção de identidade e fortalecimento comunitário”, defende a parlamentar.
Ao longo dos textos, os autores abordam experiências vividas nos territórios populares e discutem como a música, a arte e a comunicação se transformaram em ferramentas de mobilização social, formação política e afirmação de identidades para milhares de jovens brasileiros.
Debate histórico
A obra também resgata episódios de perseguição e resistência enfrentados por diferentes manifestações culturais ao longo da história do país. A criminalização do samba no início do século XX, a marginalização da capoeira e os preconceitos direcionados ao funk nas últimas décadas são citados como exemplos de processos que refletem desigualdades sociais e raciais presentes na sociedade brasileira.
Nesse contexto, o livro propõe uma reflexão sobre quem tem o direito de ocupar os espaços culturais, quais vozes são legitimadas no debate público e como a produção artística das periferias pode contribuir para a construção de uma sociedade mais plural e democrática.
Um retrato do “Brasil real”
Mais do que uma coletânea de artigos, “MC Não é Bandido: Leituras do Real Brasil” busca apresentar um retrato das vivências, desafios e potências existentes nas periferias urbanas. A publicação reúne diferentes olhares sobre cultura, juventude, território e pertencimento, reforçando a ideia de que as manifestações artísticas produzidas nesses espaços são parte fundamental da identidade cultural brasileira.
O lançamento acontece em um momento em que o debate sobre liberdade de expressão, políticas culturais e combate ao preconceito contra artistas periféricos volta a ganhar força no cenário nacional, especialmente diante das discussões envolvendo bailes funk, ocupação de espaços públicos e acesso à cultura. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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