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Brasil pode responder por até 40% de nova cota extraordinária de carne bovina para os EUA

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O Brasil surge em posição de destaque para absorver até 40% do volume adicional de carne bovina liberado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida autorizou a entrada de 300 mil toneladas com isenção tarifária pelos próximos 90 dias com o objetivo de conter a inflação de alimentos e baixar o preço da carne moída no mercado americano. Diante da severa redução do rebanho bovino local, o governo dos EUA recorreu a importações emergenciais enquanto tenta incentivar pecuaristas americanos. A expectativa é que os frigoríficos brasileiros forneçam entre 90 mil e 120 mil toneladas desse montante extraordinário, impulsionados pela grande quantidade de plantas credenciadas no país.

A nova janela de oportunidade é crucial para o setor pecuário brasileiro, que em 2026 já havia esgotado em apenas 15 dias a sua cota anual tradicional sem tarifa, de 52,4 mil toneladas, passando a arcar com uma alíquota extra de 26,4% sobre as vendas excedentes. Mesmo com a taxa, o país exportou 269,1 mil toneladas para os EUA entre janeiro e agosto, gerando US$ 1,74 bilhão em receita — um avanço de 28,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Embora dispute o novo lote diretamente com fornecedores do Paraguai e da América Central, o Brasil traz vantagem estrutural por sua capacidade industrial. O grande gargalo das negociações, contudo, está no preço: a demanda americana foca em trimmings (cortes para hambúrguer), produto de menor valor agregado, o que exige das empresas brasileiras um cálculo minucioso de custos de exportação para avaliar a rentabilidade frente a outros mercados globais.

Conclusão

A abertura da cota temporária pelos Estados Unidos reafirma a relevância e o poder de resposta da pecuária brasileira em momentos de desabastecimento das grandes potências globais. Contudo, o aproveitamento pleno dessa oportunidade dependerá do equilíbrio comercial entre o valor oferecido pelos compradores americanos e a rentabilidade dos frigoríficos nacionais ao destinarem matérias-primas de menor valor agregado. Se as margens operacionais se mostrarem viáveis, o Brasil não apenas consolidará sua participação no mercado norte-americano, como também demonstrará a eficiência e a flexibilidade de sua cadeia produtiva para atender demandas emergenciais de grande escala. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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