Mundo
ABRASA reafirma em Viena pioneirismo na memória Brasil–Áustria
23ª edição do Dia do Brasil na Áustria amplia agenda de pesquisa, memória e cooperação até 2035
VIENA — SETEMBRO DE 2026 — A ABRASA – Instituto ABRASA Casa do Brasil na Áustria realizou, entre 2 e 4 de setembro, a 23ª edição do Dia do Brasil na Áustria, reunindo pesquisadores, historiadores e representantes culturais do Brasil, da Áustria e de outros países.
Sob liderança da presidente e fundadora Queila Rosa, o encontro reafirmou uma trajetória iniciada em 2003 e ampliou a agenda institucional de pesquisa e cooperação Brasil–Áustria, conectando Maria Leopoldina, Independência do Brasil, soberania austríaca, migração, exílio, neutralidade e pertencimento.
Um dos principais eixos foi o papel político de Maria Leopoldina no processo da Independência. Para a ABRASA, seu pioneirismo está na atuação contínua para transformar o conhecimento histórico sobre Leopoldina em presença pública na Áustria, aproximando sua trajetória de escolas, instituições, autoridades e sociedade.
“Nosso pioneirismo não está em negar os estudos que já existiam. Está em ter retirado Leopoldina dos limites dos livros e dos arquivos e levado sua importância ao espaço público austríaco”, afirma Queila Rosa.
A escolha de 2 de setembro como marco do Dia do Brasil na Áustria destaca a reunião do Conselho de Estado presidida por Leopoldina naquele dia de 1822, ampliando a narrativa tradicional da Independência e aproximando-a também das lutas desenvolvidas na Bahia.
A programação de 2026 avançou ainda para a neutralidade austríaca, Bruno Kreisky, Guerra Fria, Sul Global e Movimento dos Países Não Alinhados. Entre os participantes estiveram o historiador e antropólogo Dr. Uwe C. Plachetka, o cientista político Heinz Gärtner, o historiador Sergio Guerra Vilaboy e pesquisadores brasileiros como Marcelo Cheche Galves e Romário Sampaio Basílio, entre outros convidados.
O encontro foi realizado no histórico Vorwärts-Gebäude, em Viena, sede do VGA – Verein für Geschichte der ArbeiterInnenbewegung, estabelecendo diálogo entre a programação e a memória política e social austríaca.
A atuação da ABRASA também possui uma extensão permanente no Brasil. Em 2008, a instituição criou, em Salvador, o Instituto Casa da Áustria Maria Leopoldina, fortalecendo uma ponte institucional entre os dois países. A iniciativa contou com a participação decisiva do saudoso historiador baiano Dr. Ubiratan Castro de Araújo.
O trabalho desenvolvido pela instituição inclui ainda o CarnaViena, ações educativas e culturais e iniciativas de pesquisa, intercâmbio e cooperação internacional. Desde 2010, a ABRASA é reconhecida pelo Ministério da Cultura do Brasil como ponto internacional de cultura e memória brasileira e afro-brasileira na Áustria.
O encontro de 2026 encerra uma etapa e abre uma nova agenda. O material reunido deverá subsidiar livro, documentário, exposições, publicações, cooperações acadêmicas e ações internacionais entre 2027 e 2035, dentro da agenda “Mais de 20 histórias para contar”.
“Nossa história está registrada em documentos, imagens, fotografias e projetos e, sobretudo, na memória de quem participou dessa construção. Esta história continua e, na Áustria, o coração do Brasil bate mais forte”, conclui Queila Rosa.
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