Conecte-se conosco

Mundo

Ancestralidade na 1a Festa de Santa Bárbara/Oyá de Lisboa

Publicado

em

  • Duda Tawil, de Salvador da Bahia

A 1a Festa de Santa Bárbara/Oyá em Arroios, freguesia bem no centro de Lisboa, aconteceu com sucesso entre 4 e 6 de setembro passado, em pleno verão lisboeta, sonhada, idealizada e realizada pela advogada baiana Maria Andreza Sá Gonçalves, que reside e trabalha em Portugal há 30 anos, após o seu mestrado, defendido com louvor, na Universidade de Coimbra com a sua reputada Faculdade de Direito, uma das mais respeitadas e antigas do mundo. O Instituto Associativo Cultural & Artístico Luso-Brasileiro Maria Andreza Sá, que leva portanto o seu nome, idealizou, produziu e realizou, com garra, fé e amor, toda a manifestação.

Entre o coquetel de lançamento na Galeria Arte Livre, de Milú Ferreira, embaixadora do evento, na prestigiosa Avenida da Liberdade, e a lauta feijoada que concluiu todo o evento, assinada pelo restaurante Cantinho do Sol (@cantinho.dosol), de Silvane Ferreira, mais de 300 participantes de camiseta/camisola, imprensa, patrocinadores e convidados desfrutaram de um momento agradável, quando, primeiro, a Dra. Andreza fez os agradecimentos aos presentes já na missa celebrada pelo Padre Fernando na Igreja Nossa Senhora dos Anjos, seguida do cortejo típico do sincrestismo religioso entre Santa Bábara e a Oríxá Oyá, até o local da feijoada e da festa privada, na casa de eventos The Spot, lotada, na Baixa de Lisboa.

A relação Brasil e Portugal foi inúmeras vezes enfatizada por Maria Andreza em todas as ocasiões: “Foi pelas mãos de um casal de portugueses que o culto e a imagem de Santa Bárbara foram levados originalmente para Salvador da Bahia, no Brasil, onde a devoção se fundiu com a identidade local. Refletindo esta união cultural e a dimensão do evento, a icônica cantora brasileira Alcione assumiu o papel de madrinha oficial desta primeira edição, e o padrinho seu empresário Carlos Marão, sendo o seu embaixador Baba Thales Mello. O impacto e a importância desta celebração conquistaram forte eco na imprensa de ambos os lados do oceano, com várias matérias já publicadas tanto nos principais jornais de Salvador, como em órgãos de comunicação social”, dizia já semanas antes do sucesso obtido.

Além dessa simpática “força” por parte da mídia, e dos apoios institucionais e empresariais, a iniciativa contou com os “Amigos de Santa Bárbara, Protegidos de Oyá!”, e complementa a sempre entusiasta Dra. Andreza, como é carinhosamente conhecida dos dois lados do Atlântico: “É grupo formado por pessoas que acreditaram no projeto desde os seus primeiros passos e que colaboraram, cada uma à sua maneira, para a concretização desta celebração de fé, cultura e tradição”, disse à reportagem. As “Comadres de Cascais” tendo à sua frente a generosa e atuante jornalista soteropolitana Delgrace Aeppli, foram de fundamental importância para o êxito do evento, assim como outras associações, confrarias, e o voluntariado, particular ou coletivo.

Os “Amigos de Santa Bárbara, Protegidos por Oyá”, invenção dela, são pessoas que, portanto, acreditaram neste projeto e decidiram caminhar juntas na sua construção. “Elas não só representam empresas nem instituições. São amigos, homens e mulheres de diferentes origens e trajetórias, unidos pelo carinho à tradição de Santa Bárbara, pela valorização da cultura e pela confiança nesta iniciativa”. E foi assim que cada um(a) contribuiu à sua maneira: com o seu tempo, o seu trabalho, os seus conhecimentos, a sua presença, a sua divulgação, o seu incentivo ou outras formas de colaboração que tornaram possível a realização deste encontro, sem nenhum aporte financeiro institucional, nem da parte de Portugal, nem do Brasil. E, no entanto, o evento abriu mais as portas para a Bahia, além-mar.

Ela também explica que o bonito estandarte de Bárbara foi um presente, e faz questão de mencionar essa fundamental doação da parte de Joaquim Assis, também filho de Yansã/Oyá. Fundador e atual presidente da Associação Eterna Juventude, um “irmão” que faz um trabalho edificante com a terceira idade. Ele igualmente ofereceu a faixa de Santa Bárbara. O grupo de cinco músicos Gran Finale animou toda a feijoada, das 14h até o início da noite.

Entre tantos que colaboraram, que seria impossível mencionar todes, a incansável irmã da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Gildete Farias Conceição; a empresária da construção Regina Nazaré, filha de Yansã, que foi do Porto, assim como Laura Tanuri, que foi de Salvador, tendo oferecido durante a missa uma imagem de nossa Santa Dulce dos Pobres, ela mesma umas das coordenadoras e membro das “Amigas de Dulce” aqui do Santuário de Santa Dulce dos Pobres e da OSID – Obras Sociais Irmã Dulce. E tantos mais, com a médica portuguesa Dra. Noa Paes de Lacerda; a cantora e performer Ákila; o jornalista Vicente, do “Público”; o sociólogo e babalorixá português Pai Jomar de Ogum; a nossa querida cheffe Dadá, a “Negona” maravilhosa; a emblemática portuguesa São Conrado, magistrada de Lisboa; Bruna Russel, antropóloga brasileira; os renomados advogados baianos da família Nogueira Reis, Dra. Doris Lago Ribeiro Cortizo, Dra. Rita Cayres, Dra. Ana Mércia Azevedo Santa Bárbara, cujo sobrenome é a força da nossa festa, a ex-vice-prefeita de Salvador, Dra Célia Sacramento, a inesquecivel serventuária da segunda Vara de Família do TJBA, Maria José Fonseca Soares (carinhosamente apelidada por Zezé), a primeira delegada muher da Secretaria de Segurança Publica do Estado da Bahia, Tania Sodré, e mais Maria José Santana Sodré Pereira, talentosa artesã do Rio Grande do Norte, a eterna presidente das Filhas de Ghandy, Glisélia Vasconcellos, a professora e colega de Dra. Andreza, da turma do ICEIA, Geralda do Espírito Santo, e também Cláudia Santos Farias, o mestre de basquete que durante décadas nos representou muito bem na Europa, onde viveu mais de 40 anos, Francisco Carlos Bonfim Bandeira, Mildred Aparecida Sotero, o grande fotógrafo Bauer Luís dos Santos Sá, irmão da Dra. Andreza, Francisco Silva Santos, seu filho espiritual (dito Chiquinho), Maria Nunes, que ofertou carinhosamente a imagem de Santa Bárbara, vinda de Salvador pela TAP, aos cuidados de Gil Operadora de Turismo, Luís Nunes que muito contribuiu ao patrocinar água para o cortejo, Neide Castilho de Ogum, “de cujo terreiro de axé, vem a nossa irmandade”, Axé Iyá Nasso Oká Ilê Oxum, filhas da nossa Yá, a inesquecivel Mãe Nitinha, Valnice Oliveira, a sua colega dos anos 70 na Fundação Visconde de Cairú “que tornou-se irmã e hoje mora nos Estados Unidos e me deu sobrinhas lindas”, Dayse Nascimento, “minha filha de alma”, Waldelice Nascimento, “guarda de honra do casamento da minha mãe com meu pai”, a já citada amiga de tantas décadas, Gil, operadora de viagens. De Nice, na França, foi a cerimonialista baiana Ray Santos, que com vasta experiência entrou para ajudar na organização final, e também de lá, na animação, os cantores Bárbara e Trovoada, e a dançarina e promoter Solange Barreto. Por fim, todos os amigos que não tiveram um cargo específico, ou mesmo não puderam comparecer, mas são os apoiadores e de coração. É o caso de Patrícia Crisóstomo, delegada de polícia que homenageou nove mulheres de Yansã, sob o título de “A Korimina Deuá”, com troféus; o fabuloso Acarajé de Neide e toda a sua simpatia no coquetel de abertura na galeria; e a tão querida desembargadora Luislinda Valois, em Salvador da Bahia.

Importantíssima também a presença da ANCESTRALIDADE baseada em Portugal há tantos anos: “Aos “Guardiões da Ancestralidade”, toda a gratidão do mundo”, enfatiza a Dra. Andreza. Entre elas e eles, Mãe Gi de Oxossy, Mãe Cacau Mameto Lince, Pai Di Oxossi de Braga, Pai Miguel Dinis, Pai Jomar de Ogun, Pai Miguel de Yemanjá, Baba Beto, Baba Eri Porto, Baba Hederson Oxoguian, Baba Anderson Osumaré, Baba Gerson Taunderan, Yá Cris, Baba José Macário Xangô, Baba Rodrigo, Baba Thalyson, Jéferson Monteiro, Pai Marcos de Yemanjá, Pai Mário Camilo Corcini de Yemanjá, Pai Paulo, Baba Michel Moura (que veio de São Paulo), Yá Bruna Guimarães, Yá Graça Araújo, Yá Karol Oyá Femí, Yá Paula, Mãe de Santo de um terreiro de Umbanda, no Porto, que presentou a organizadora com obras de arte de Yansã e Obaluaê; Mãe Mara, também talentosa artista plástica que presenteou o evento com obras de arte, Baba Alan Pereira, Irmão Tata Nzazi (que veio do Brasil), Eduardo Portella, Baba Yuri Alves do Ilé Odé Kénáe, Pai Isaac Caldas, que com sua força e fé foi o primeiro a carregar o andor de Santa Bárbara e prosseguir no cortejo com tantos outros Babas e Yás; Pai Geferson de Oxossy; Baba Yule d´Oxossy do Ilê Odé Kéná; tantes mais, pois a lista é interminável.

Em conclusão, resumiu a Dra. Andreza: “Este evento histórico marcou o encerramento do primeiro ano de atividades do nosso Instituto em solo europeu, consolidando a união indissociável entre as vertentes e ritos do Candomblé e da Umbanda. Provou-se que a ancestralidade e a liturgia, quando geridas com rigor, dignidade e respeito institucional, elevam as matrizes tradicionais ao topo da representação cultural na Europa.” E um agradecimento especial ela faz:
“A nossa mais profunda reverência e gratidão é dirigida aos Guardiões da Ancestralidade, cuja dedicação, fé e esforço físico e espiritual serviram de fundação indelével para que este Axé ganhasse vida nas terras de Portugal. Na qualidade de Membros Fundadores Históricos, os vossos nomes ficam formalmente registrados e eternizados na pedra angular desta Instituição.”

A todas e a todos, MIL OBRIGADOS pela espiritualidade, ancestralidade e presenças de perto ou de longe!

A festa luso-baiana para Bárbara/Oyá veio para ficar! Agendem-se para 4 e 5 de setembro de 2027!

    Axé! 

Na foto (divulgação): Yá Paula, do terreiro de Umbanda, presente neste evento de celebração e fé, alta representante da Ancestralidade, ofereceu à Dra. Andreza obras de arte representando Yansã e Obaluaê.

Continue lendo
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Anúncio

Mais Acessadas

Verified by MonsterInsights