Brasil
SAÚDE|
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta quarta-feira, o registro de cinco novas canetas à base de semaglutida no Brasil, ampliando significativamente a oferta de medicamentos da classe dos análogos do GLP-1 no mercado nacional.
A decisão ocorre poucos meses após o vencimento da patente da molécula no país e representa um novo passo para aumentar a concorrência entre os laboratórios, reduzir os custos do tratamento e ampliar o acesso de pacientes que convivem com o diabetes tipo 2.
Segundo reportagem do jornal O Globo, com as novas autorizações, chega a seis o número de medicamentos à base de semaglutida liberados pela Anvisa desde março, quando expirou a exclusividade de fabricação da substância. A expectativa do setor farmacêutico é de que a entrada de novas marcas estimule uma queda gradual nos preços, tornando esses medicamentos mais acessíveis tanto para pacientes quanto para o sistema de saúde.
As novas aprovações contemplam os medicamentos Semavy, da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A. (Hypera Pharma); Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil; Zempneo, da Brainfarma; e Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica. Todos receberam autorização para uso em adultos com diabetes mellitus tipo 2 como complemento à alimentação equilibrada e à prática regular de atividade física, especialmente nos casos em que a metformina não pode ser utilizada devido à contraindicação ou intolerância.
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor do GLP-1, hormônio que atua estimulando a produção de insulina quando os níveis de glicose estão elevados, reduzindo a liberação de glucagon e retardando o esvaziamento do estômago. Esses mecanismos ajudam no controle da glicemia e também promovem maior sensação de saciedade, fator que levou a substância a ganhar notoriedade mundial pelo efeito na perda de peso.
Embora sejam frequentemente conhecidas como “canetas emagrecedoras”, especialistas reforçam que os medicamentos aprovados pela Anvisa têm indicação principal para o tratamento do diabetes tipo 2. O uso para emagrecimento deve ocorrer apenas nos produtos registrados especificamente para essa finalidade e sempre com acompanhamento médico, já que o uso indiscriminado pode provocar efeitos adversos e desabastecimento para pacientes que realmente dependem da medicação para controlar a doença.
Nos últimos anos, a demanda por medicamentos à base de semaglutida cresceu de forma acelerada em diversos países, impulsionada por estudos que demonstraram benefícios não apenas no controle do diabetes, mas também na redução do peso corporal e na diminuição do risco de complicações cardiovasculares em determinados grupos de pacientes. Esse cenário fez com que a substância se tornasse uma das mais procuradas da indústria farmacêutica, ocasionando períodos de escassez e preços elevados.
Com o fim da patente no Brasil, outras empresas passaram a ter autorização para desenvolver medicamentos contendo o mesmo princípio ativo, desde que cumpram todas as exigências de qualidade, segurança e eficácia estabelecidas pela Anvisa. A expectativa é que o aumento da concorrência favoreça a redução dos preços ao longo dos próximos meses e amplie a disponibilidade do produto nas farmácias.
A expansão da oferta também fortalece as discussões sobre uma futura incorporação da semaglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, esse processo ainda depende de avaliações técnicas, clínicas e econômicas conduzidas pelo Ministério da Saúde e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisam critérios como custo-benefício, impacto orçamentário e benefícios para a população antes de recomendar a inclusão de novos medicamentos na rede pública.
Especialistas destacam que, apesar do avanço representado pelas novas aprovações, o tratamento do diabetes tipo 2 continua baseado em um conjunto de medidas que inclui alimentação saudável, prática regular de exercícios físicos, acompanhamento médico e controle de outros fatores de risco, como hipertensão e colesterol elevado. Os medicamentos à base de semaglutida representam uma importante ferramenta terapêutica, mas seu uso deve ocorrer de forma individualizada e sempre sob prescrição e monitoramento de um profissional de saúde. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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