Economia
ECONOMIA|Viajar de avião pelo Brasil ficou mais caro em 2026. O preço médio das passagens aéreas para voos domésticos chegou a R$ 632,53 em maio, registrando alta de 11,2% em relação ao mesmo período do ano passado
O aumento é reflexo, principalmente, da disparada no custo do combustível de aviação, que passou a pressionar as despesas operacionais das companhias aéreas e, consequentemente, os preços cobrados dos passageiros.
Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), responsável pelo monitoramento mensal das tarifas praticadas no mercado brasileiro. O levantamento considera exclusivamente o valor da passagem aérea, sem incluir taxas de embarque e outros encargos, além de utilizar valores corrigidos pela inflação para permitir uma comparação mais precisa ao longo do tempo.
O principal fator por trás da alta é o aumento expressivo do preço do querosene de aviação (QAV), que representa um dos maiores custos operacionais das empresas aéreas. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro do combustível foi vendido, em média, por R$ 6,46 em maio, uma alta de 68,5% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 44,4% na comparação com 2024.
A valorização do QAV está diretamente ligada ao cenário internacional. As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, somadas à instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo, elevaram o preço do barril de petróleo no mercado global. Como o combustível de aviação acompanha essa variação, o impacto acabou chegando às companhias aéreas brasileiras e, posteriormente, ao consumidor final.
Especialistas do setor destacam que, além do combustível, outros fatores também influenciam o preço das passagens, como a cotação do dólar, custos de manutenção das aeronaves, leasing de aviões, oferta de voos, demanda em períodos de férias e feriados e a disponibilidade de assentos em cada rota. Todos esses elementos podem provocar oscilações nas tarifas ao longo do ano.
Apesar do aumento da tarifa média, a Anac ressalta que ainda é possível encontrar passagens por preços mais acessíveis. Em maio, 49,1% dos bilhetes comercializados custaram menos de R$ 500. Desse total, 20,7% foram vendidos por até R$ 300, enquanto outros 28,4% ficaram na faixa entre R$ 300 e R$ 500, mostrando que promoções e compras antecipadas continuam sendo alternativas para reduzir os gastos com viagens.
Na outra ponta, 5,4% das passagens vendidas ultrapassaram R$ 1.500, valor próximo ao salário mínimo nacional de 2026, atualmente fixado em R$ 1.621. Os bilhetes mais caros costumam estar associados a viagens compradas de última hora, períodos de alta demanda ou rotas com menor oferta de voos.
A expectativa do setor é que o comportamento das tarifas continue dependendo da evolução do mercado internacional de petróleo e da estabilidade econômica global. Enquanto os custos operacionais permanecerem elevados, as companhias aéreas tendem a manter uma política de preços mais alta, embora a concorrência e as promoções sazonais ainda possam garantir opções mais econômicas para os passageiros que planejarem suas viagens com antecedência. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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