Brasil
SELEÇÃO BRASILEIRA|Da desconfiança à esperança: como o Brasil reencontrou a confiança na Copa do Mundo de 2026
A trajetória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 começou cercada por dúvidas. Após uma campanha decepcionante nas Eliminatórias Sul-Americanas, encerrada apenas na quinta colocação atrás de Argentina, Equador, Colômbia e Uruguai, o Brasil desembarcou no torneio sem o favoritismo que historicamente acompanha a equipe pentacampeã mundial.
A estreia reforçou o pessimismo. O empate diante de Marrocos evidenciou muitos dos problemas que já vinham sendo observados nos últimos anos: dificuldades na criação de jogadas, pouca intensidade ofensiva e uma equipe ainda distante do futebol que consagrou o país como referência mundial. Nem mesmo a vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, na segunda rodada, foi suficiente para empolgar torcida e especialistas, já que o adversário era considerado tecnicamente inferior.
O ambiente ao redor da Seleção refletia esse momento. Parte da torcida demonstrava uma relação cada vez mais distante com a equipe nacional, marcada por frustrações acumuladas em Copas anteriores e por uma sensação de que o Brasil havia perdido sua identidade dentro de campo. O próprio Neymar, agora veterano, simbolizava uma geração que viveu grandes expectativas, mas que ficou marcada pela ausência do tão sonhado hexacampeonato.
Foi então que veio o duelo contra a Escócia. Mais do que a vitória por 3 a 0, o desempenho convenceu. Pela primeira vez na competição, o Brasil apresentou um futebol dominante, intenso e organizado, controlando a partida do início ao fim e demonstrando evolução coletiva em praticamente todos os setores do campo.
A atuação devolveu algo que parecia distante: a confiança do torcedor. Em poucos minutos, o sentimento de resignação deu lugar à esperança. A pergunta voltou a surgir naturalmente entre os brasileiros: será que, afinal, este time pode brigar pelo título?
Grande parte dessa mudança passa pelo protagonismo de Vini Jr. O atacante assumiu definitivamente a responsabilidade de liderar a equipe dentro de campo. Com gols marcados em todos os jogos da fase de grupos, velocidade, dribles e capacidade de decidir partidas, o camisa 7 passou a ocupar o papel que historicamente pertenceu aos grandes craques das campanhas vitoriosas do Brasil.
Entretanto, a evolução da Seleção vai além do brilho individual. O meio-campo ganhou consistência com Bruno Guimarães, que passou a controlar o ritmo das partidas, distribuindo o jogo com inteligência e oferecendo equilíbrio entre defesa e ataque. Já Matheus Cunha tornou-se peça importante pela movimentação constante, intensidade na marcação e eficiência ofensiva, contribuindo tanto com gols quanto com a criação de espaços para os companheiros.
Outro aspecto que chamou atenção foi a organização tática. A equipe apresentou linhas compactas, maior agressividade na recuperação da posse de bola e uma circulação mais rápida, características que haviam faltado durante boa parte do ciclo até a Copa.
Naturalmente, uma grande atuação não apaga todas as dificuldades enfrentadas nos últimos anos. Os desafios tendem a aumentar nas fases eliminatórias, quando qualquer erro pode ser decisivo. Ainda assim, o desempenho diante da Escócia mostrou que o Brasil voltou a competir em alto nível justamente no momento mais importante da competição.
Se antes a Seleção era vista apenas como uma candidata distante ao título, agora volta a ser encarada como um adversário capaz de enfrentar qualquer seleção. A caminhada rumo ao hexacampeonato ainda é longa, mas, depois de um início cercado por desconfiança, a equipe comandada por seus principais talentos parece ter recuperado aquilo que sempre diferenciou o futebol brasileiro: a confiança de que é possível chegar ao topo do mundo mais uma vez. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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