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A arte encontra um lar em Rivera com a FideArte

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Há noites que não terminam quando as luzes se apagam. Elas permanecem no ar, gravadas na memória coletiva de um povo. Foi o que aconteceu em 3 de junho em Rivera, Huila, Colômbia, onde a arte deixou de ser mera contemplação e se tornou uma celebração, um encontro e um legado.
Entre taças de vinho, abraços demorados e conversas repletas de emoção, a FideArte, casa-museu da renomada artista visual Fidela Losada Flórez, natural de Huila, foi oficialmente inaugurada. Sua carreira internacional a tornou uma figura imperdível no cenário cultural latino-americano.
A cena parecia saída de um romance luminoso: visitantes vagando por salas transbordando de cor, familiares observando com orgulho silencioso, artistas trocando impressões diante das pinturas e amantes da arte descobrindo, talvez pela primeira vez, a imensa jornada de uma mulher que levou o nome de Rivera, Huila, Colômbia, para além das fronteiras nacionais.
Não foi apenas uma inauguração cultural. Foi também um ato de gratidão coletiva.
Cem exposições, quinze países e uma vida dedicada à arte.
A inauguração da FideArte coincidiu com um evento profundamente simbólico: a abertura de “Entre a Oliveira e a Ceiba”, a centésima exposição de Fidela Losada Flórez, realizada em mais de quinze países. Esse número fala não apenas de permanência, mas também de disciplina, sensibilidade e resiliência artística.
Cada sala do museu funciona como uma estação emocional dentro do universo criativo da artista. Ali, encontram-se mais de cem obras em acrílico, composições onde a cor parece respirar com autonomia própria e onde as formas dialogam com a memória, o território e a identidade.
No entanto, um dos aspectos mais comoventes da noite não foram apenas as pinturas. Os visitantes puderam explorar uma espécie de arquivo íntimo da trajetória artística da artista: livros, catálogos, pôsteres, entrevistas, recortes de imprensa, homenagens, certificados e prêmios acumulados ao longo de décadas de trabalho.
Cada documento revelava uma parte diferente de sua jornada. Cada fotografia parecia confirmar que por trás da artista havia uma mulher profundamente comprometida com a cultura e com a defesa silenciosa da sensibilidade humana.
Por isso, o mestre Eminro Garzón a chamou de “A Artista Errante”, porque sua obra viajou, porque seu nome cruzou oceanos. Porque seus pincéis abriram portas onde antes só existiam distâncias.
Rivera, Huila, Colômbia, descobre um novo coração cultural.
A inauguração da FideArte também presta homenagem ao seu falecido marido, Miguel Ángel Cabezas González, e representa um desenvolvimento significativo para o município de Rivera. Num momento em que muitas regiões se esforçam para fortalecer as suas iniciativas culturais, o surgimento de uma casa-museu com estas características representa um sério compromisso com o turismo cultural e a construção da memória artística no departamento.
Entre os presentes, Margarita Rosa Gómez comentou: “Adorei a curadoria e a montagem da exposição. A disposição das peças, a iluminação cuidadosamente pensada e a amplitude dos espaços são espetaculares, pois proporcionam uma experiência tranquila, íntima e contemplativa.”
A casa-museu conta com três salas modernas que, como a própria Fidela Losada Flórez anunciou durante a inauguração, estarão abertas à comunidade cultural e artística. A intenção é fazer deste espaço um ponto de encontro para exposições, atividades educativas, debates e futuros projetos criativos.
Este anúncio despertou entusiasmo entre gestores culturais, artistas emergentes e cidadãos que veem a FideArte como uma oportunidade para revitalizar a vida cultural do município.
E não é de admirar, Rivera é um território onde a paisagem costuma roubar toda a atenção, agora haverá também um espaço onde a pintura, a memória e a sensibilidade terão destaque permanente.

A noite em que Rivera abraçou uma de suas filhas prediletas.
A atmosfera da posse foi marcada por algo difícil de descrever e ainda mais difícil de recriar: autenticidade.
Não havia solenidade excessiva nem protocolos frios. O que prevalecia era o calor humano. Amigos que vieram de Ibagué: Carmenza Guevara e seu marido David López, amigos de infância, Rubiela Buendia, os pais do prefeito de Rivera, Nidia Guzmán e Humberto Alvarado, Marina Lara de Polanco, suas filhas, as irmãs Polanco Lara, Clarita Escobar, Chanita Galindo, parentes, artistas, jornalistas, colecionadores e moradores do município. O vereador de Rivera, Andrés Calderón, figuras renomadas das artes e da cultura: minha apresentadora Alba Leonor Chaux Cardozo, Conselheira Nacional de Cultura, Dora Emilce Fernández, coordenadora dos Museus, César Augusto Rincón González, Clara Sofía Díaz, um grupo muito especial de poetas, grandes artistas, grandes amigos e conhecidos! Mais de cem pessoas me honraram ao aceitar meu convite e percorreram as obras nesta inauguração com a sensação de participar de um momento histórico para Rivera, Huila.
Outra grata surpresa foi a apresentação dos artistas do grupo Los Richards, que encantaram os convidados com excelentes peças musicais executadas por Ricardo Losada Flórez e Ricardo Yáñez no saxofone.
Muitos visitantes detiveram-se diante de certas obras por longos períodos. Outros preferiram ouvir as anedotas por trás de algumas das exposições internacionais da artista. E houve também aqueles que simplesmente observaram em silêncio, como se compreendessem que certas linguagens da arte não precisam de tradução.
A emoção tornou-se particularmente visível quando vários presentes, incluindo César Rincón, relembraram a longa trajetória da artista e o impacto que sua obra teve além das fronteiras da Colômbia. Porque por trás do reconhecimento internacional permanece intacta a essência de Fidela Losada Flórez, uma mulher profundamente conectada à sua terra, ao seu povo e às raízes culturais que nutriram sua criação artística.
Em meio à celebração, era impossível não pensar que a FideArte não é apenas um museu. É também um testemunho vivo de perseverança.

Uma demonstração de que a arte pode, de fato, transformar destinos.
E talvez, acima de tudo, uma prova convincente de que os sonhos culturais também precisam de portas abertas, muros amplos e cidades capazes de acolher seus criadores.
Grandes obras nem sempre nascem em capitais ou dentro dos circuitos artísticos tradicionais. Às vezes, florescem em cidades tranquilas onde alguém decide transformar e investir sua história pessoal em patrimônio coletivo.
A inauguração da FideArte deixa uma imagem poderosa para Huila: a de uma artista que, após décadas no exterior, retorna à sua terra natal não para olhar para o passado com nostalgia, mas para semear as sementes do futuro.
Porque quando uma casa abre um espaço para a memória, a arte deixa de pertencer exclusivamente ao seu criador e passa a pertencer a todos.

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