Brasil
Maio Roxo: 15% dos novos diagnósticos de Doenças Inflamatórias Intestinais já ocorrem em idosos
Dados mostram crescimento de casos no Brasil; médica geriatra alerta que polifarmácia e sintomas atípicos dificultam a detecção precoce.
O Maio Roxo, mês de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), ganha um novo e urgente contorno no Brasil: o aumento da incidência na terceira idade. Atualmente, estima-se que entre 10% e 15% dos novos diagnósticos de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa ocorram em pessoas com mais de 60 anos, um público que muitas vezes tem seus sintomas subestimados.
O cenário brasileiro aponta para um crescimento anual de cerca de 15% na prevalência das DII, especialmente em áreas urbanas. No entanto, o diagnóstico em idosos é um desafio clínico: os sintomas costumam ser mais sutis, manifestando-se através de anemia, fadiga e perda de peso inexplicada, em vez das crises agudas comuns em jovens.
Para a médica geriatra Márcia Umbelino, o maior perigo reside na normalização desses sinais e na automedicação.
“Quando o intestino muda de forma persistente, o corpo está pedindo investigação, não improviso. Na terceira idade, a dor abdominal pode ser menos intensa, o que engana o paciente e a família. Sangramento e alterações no hábito intestinal nunca devem ser encarados como algo natural do envelhecimento”, alerta a médica.
Complexidade clínica e diagnóstico diferencial
A investigação na terceira idade exige maior atenção devido à presença de outras doenças associadas. Dados indicam que mais de 85% dos idosos com doença inflamatória intestinal possuem comorbidades e cerca de 74,4% utilizam múltiplos medicamentos (polifarmácia), o que pode mascarar ou confundir a origem dos sintomas gastrointestinais.
Segundo a Dra. Márcia Umbelino, as DII nessa faixa etária podem ser facilmente confundidas com outras condições graves, como diverticulite, isquemia colônica e até câncer colorretal.
“O diagnóstico precoce é fundamental para reduzir a mortalidade, que ainda é alta entre os 60 e 69 anos devido a complicações. Investigar precocemente é o que garante que o idoso não perca sua autonomia por causa de uma anemia profunda ou desnutrição”, reforça a geriatra.
Sinais de alerta para ficar de olho
- Alteração do hábito intestinal: diarreia ou constipação persistentes por semanas;
- Perda de peso involuntária: sem mudança na dieta ou rotina;
- Anemia e fadiga: cansaço extremo sem causa aparente;
- Sangue nas fezes: mesmo em pequenas quantidades, deve ser investigado;
- Dores abdominais: ainda que leves, se forem recorrentes.
Sobre a campanha
O Maio Roxo reforça que o diagnóstico correto permite acesso a tratamentos modernos capazes de preservar a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes. O objetivo da campanha é evitar que idosos cheguem a estágios avançados da doença por falta de informação ou por diagnósticos tardios.
Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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