Turismo
Vitória nas águas: barqueiros tradicionais da Barra garantem seu espaço no novo transporte aquaviário
A Câmara Municipal derrubou o veto da prefeitura e assegurou que os trabalhadores históricos das lagoas não sejam engolidos pelo novo consórcio da Zona Oeste.
Quem já precisou cortar caminho pelas lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá conhece bem a figura dos barqueiros tradicionais. Há décadas, são eles que dominam cada espelho d’água da região, transportando moradores muito antes de qualquer projeto oficial de mobilidade sair do papel. Com o recente anúncio de um sistema público e moderno de transporte aquaviário, o medo de perder o sustento bateu à porta dessas famílias. No entanto, essa apreensão deu lugar ao alívio quando a Câmara Municipal do Rio de Janeiro decidiu intervir, derrubando o veto da prefeitura e cravando a permanência desses profissionais de forma definitiva.
A decisão do legislativo manteve vivo um trecho fundamental da Lei Complementar nº 293/2025, que agora funciona como um verdadeiro escudo para quem já vive da navegação local. Na prática, isso significa que a chegada do consórcio Laguna Marítima, grande vencedor da licitação, não vai afundar os pequenos trabalhadores. Pelo contrário, o contrato prevê que o sistema público recém-criado coexista pacificamente com os clássicos barcos-táxis. Além de continuarem operando de forma independente, os barqueiros terão a oportunidade de se credenciar formalmente, passando a atuar com muito mais segurança e respaldo dentro do novo modelo oficial.
A preservação da economia e do sustento local
O alívio para a categoria teve um forte apelo social nos bastidores. O autor da proposta, o presidente da Câmara Carlo Caiado, comprou a briga argumentando que o serviço prestado por esses trabalhadores já é parte da espinha dorsal da economia e da cultura daquela área. Excluir essas pessoas do novo mapa de transportes seria um golpe irreversível contra o sustento de inúmeras famílias. A derrubada do veto foi celebrada como um reconhecimento justo a quem sempre esteve nas lagoas, unindo a modernização da cidade à preservação dos empregos de quem ajudou a construir a dinâmica do bairro.
O futuro da mobilidade pelas lagoas cariocas
Com os veteranos devidamente protegidos, a atenção agora se volta para a revolução que promete desafogar o trânsito caótico da região. O projeto desenha uma rede aquaviária ágil, capaz de ligar pontos estratégicos de forma fluida. O roteiro das águas vai conectar a estação Jardim Oceânico do metrô a grandes shoppings, condomínios da Barra da Tijuca, ao Parque Olímpico e a comunidades superpopulosas, como Rio das Pedras.
Para facilitar a vida do passageiro, as catracas das embarcações estarão totalmente integradas com o sistema Jaé e com o tradicional Bilhete Único Carioca. O otimismo com a nova alternativa é tão grande que as estimativas da prefeitura apontam para um fluxo de até noventa mil passageiros por dia quando o sistema estiver operando com capacidade máxima. É o Rio de Janeiro redescobrindo o potencial de suas águas, sem deixar o seu povo para trás. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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