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RIEP – Terceiro Setor | Intercâmbio Cultural- Gestão também é afeto.E é ela que sustenta os sonhos

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Falar de gestão no terceiro setor não é discutir apenas números, planilhas e relatórios. É falar de cuidado. A sustentabilidade das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) depende menos de boas intenções e mais de como essas intenções são organizadas. Sem gestão, não há futuro possível. Com gestão, há continuidade, impacto e vidas transformadas.
As OSCs ocupam um espaço essencial no Brasil, alcançando territórios e necessidades onde o Estado e o mercado muitas vezes não chegam. Elas acolhem, educam, protegem e inspiram. Porém, muitas dessas organizações caminham sobre estruturas frágeis, funcionando quase sempre movidas pela paixão de poucas pessoas, com equipes reduzidas, processos improvisados e dependência total de editais.
A boa vontade é valiosa, mas não sustenta uma instituição no longo prazo. Paixão sem método se esgota. Missão sem estrutura se torna peso. Afeto sem planejamento vira frustração.
Ao longo da minha trajetória no terceiro setor, desde 1993, aprendi que profissionalizar a gestão não é “corporativizar” o social, nem transformar a causa em negócio. É justamente o contrário: é garantir que ela permaneça. Uma organização sem planejamento estratégico, sem orçamento anual, sem processos claros e sem diversidade de fontes de recursos está sempre à beira do colapso. Já uma organização que planeja, investe em gestão de pessoas, monitora resultados e cuida de suas finanças se fortalece, ganha credibilidade e amplia seu impacto.
Gestão, nesse contexto, é um ato de afeto. É a forma mais honesta de dizer: “isso importa, e por isso eu cuido”. Cuidar de uma OSC significa garantir que a missão sobreviva a trocas de direção, mudanças econômicas, ciclos políticos e às inevitáveis tempestades do caminho. Quando a instituição organiza seus processos e qualifica sua equipe, ela se protege de riscos, conquista parceiros, acessa recursos e preserva sua identidade. Deixa de sobreviver para existir com propósito.
A sustentabilidade não é um evento; é uma construção diária. Exige coragem para encarar o que falta, revisar práticas, abandonar improvisos e assumir uma postura madura diante da responsabilidade social. Planejamento e transparência não engessam a atuação social — eles libertam. Tornam possível pensar grande, inovar, crescer e permanecer.
No fim das contas, o que transforma uma organização não são seus slogans nem seu entusiasmo, mas a forma como ela cuida daquilo que promete. Missão sem gestão é discurso. Missão com gestão é legado. Por isso, reafirmo: gestão é afeto. É ela que sustenta os sonhos, dá raiz às causas e permite que o impacto social resista ao tempo. Uma OSC forte não é a que tem os maiores projetos, mas a que cuida bem daquilo que acredita.

Maria de Lourdes Alves Dias Leite — Administradora, gestora de projetos e mobilizadora de recursos. Atua no terceiro setor desde 1993, com experiência em planejamento estratégico, elaboração de projetos e fortalecimento institucional de organizações sociais e culturais.

Maria Delourdes Alves Dias Leite — Gestora de projetos e especialista no Terceiro Setor.
Brasil-Betim MG

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