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INCENTIVO À LEITURA|O incentivo à leitura e o fortalecimento da literatura estiveram no centro de uma importante discussão realizada nesta quinta-feira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro

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O encontro reuniu representantes do poder público, educadores, escritores, coletivos culturais e gestores de bibliotecas comunitárias para discutir caminhos de ampliação do acesso ao livro e consolidação de políticas públicas permanentes voltadas aos territórios populares.

A audiência pública foi promovida pela Comissão Especial de Favelas e Periferias da Alerj e aconteceu no histórico Palácio Tiradentes. Durante o debate, um dos principais anúncios foi a criação do Grupo de Trabalho Carolina Maria de Jesus, iniciativa que homenageia a escritora mineira considerada uma das vozes mais importantes da literatura brasileira ao retratar, com olhar sensível e contundente, a realidade da pobreza, da fome e das periferias urbanas.

A criação do grupo representa um passo importante para ampliar a presença das políticas de leitura dentro das comunidades. O GT terá como missão acompanhar a implementação do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (PELLLB-RJ), além de defender orçamento contínuo para projetos literários, bibliotecas populares e ações de formação de leitores nas periferias fluminenses.

O debate também reforçou a importância das bibliotecas comunitárias, que hoje ocupam papel estratégico em diversas regiões do estado.

Muitas dessas iniciativas surgiram da mobilização de moradores, coletivos culturais e organizações sociais diante da ausência histórica de equipamentos públicos de cultura em áreas periféricas.

Além de funcionarem como espaços de leitura, essas bibliotecas atuam como centros de convivência, reforço escolar, produção cultural e formação cidadã.

Presidente da Comissão Especial de Favelas e Periferias, a deputada estadual Renata Souza destacou que o fortalecimento da literatura periférica passa pela transformação dessas iniciativas em políticas permanentes de Estado, e não apenas ações pontuais.

Segundo a parlamentar, o Plano Estadual do Livro representa um marco para democratizar o acesso à cultura no Rio de Janeiro, especialmente em regiões historicamente excluídas dos grandes investimentos culturais. Ela ressaltou ainda que as bibliotecas comunitárias exercem papel fundamental na construção do pensamento crítico, no acolhimento de jovens e na valorização das identidades locais.

Nos últimos anos, a literatura produzida nas periferias ganhou maior projeção nacional, impulsionada pelo crescimento dos saraus, slams, editoras independentes e coletivos culturais espalhados pelas comunidades. Escritores periféricos passaram a ocupar mais espaço em feiras literárias, universidades e programas culturais, levando para o centro do debate temas como desigualdade social, racismo, violência urbana e memória das favelas.

Especialistas presentes na audiência destacaram que o acesso à leitura ainda enfrenta obstáculos significativos nas periferias brasileiras. Entre os principais desafios estão a falta de bibliotecas públicas em áreas populares, o custo elevado dos livros, a carência de políticas de incentivo contínuo e as dificuldades de formação de mediadores de leitura.

Outro ponto discutido durante o encontro foi a necessidade de ampliar investimentos na formação de leitores desde a infância. Educadores defendem que o estímulo à leitura em escolas públicas e espaços comunitários pode contribuir não apenas para o desempenho educacional, mas também para a redução das desigualdades sociais e ampliação de oportunidades para jovens das periferias.

A escolha de Carolina Maria de Jesus como símbolo do novo grupo de trabalho também carrega forte valor simbólico. Autora da obra “Quarto de Despejo”, Carolina se tornou referência internacional ao narrar sua vivência na favela do Canindé, em São Paulo, dando visibilidade à realidade das populações marginalizadas em um período em que vozes periféricas raramente encontravam espaço no cenário literário nacional.

A expectativa agora é que o Grupo de Trabalho avance na construção de propostas concretas para fortalecer a política estadual do livro e garantir que iniciativas culturais das periferias tenham continuidade, financiamento e reconhecimento institucional nos próximos anos. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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