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BRASIL MANTÉM PARCERIA MILITAR COM ARGENTINA|Brasil leva fragata Tamandaré e submarino Humaitá a exercício naval na Argentina em meio a tensão entre Lula e Milei

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A Marinha do Brasil participa, entre os dias 13 e 24 de agosto, do exercício naval Fraterno XXXIX, realizado em conjunto com a Armada Argentina em águas sob jurisdição argentina. A operação reúne navios, aeronaves e submarinos das duas forças e ocorre em um momento de tensão no relacionamento político entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei.

O governo argentino autorizou oficialmente a entrada de meios e militares brasileiros para a atividade por meio do Decreto 717/2026, publicado no Boletim Oficial em 6 de agosto. O documento estabelece que o exercício será realizado nas regiões das Bases Navais de Puerto Belgrano e Mar del Plata e no Atlântico Sul.

Entre os principais meios brasileiros enviados para a missão estão a Fragata Tamandaré (F200) e o submarino Humaitá (S41). Também integram o destacamento brasileiro a Fragata União, o Navio de Socorro Submarino Guillobel e dois helicópteros AH-11B.

Exercício reúne capacidades de diferentes áreas

O FRATERNO é realizado anualmente desde 1978 e tem como uma de suas principais finalidades ampliar o treinamento conjunto e a interoperabilidade entre as Marinhas brasileira e argentina. Na prática, isso significa permitir que as duas forças treinem procedimentos de comunicação, planejamento, comando e atuação conjunta em diferentes cenários de combate e operações navais.

Nesta edição estão previstos exercícios de tiro naval, defesa antiaérea e guerra antissubmarino, além de atividades envolvendo navios de superfície, aeronaves e submarinos. A programação foi planejada para aproximadamente 12 dias, com operações entre Puerto Belgrano e Mar del Plata.

A guerra antissubmarino é uma das atividades de maior complexidade do exercício. Esse tipo de operação exige que navios, aeronaves e centros de comando trabalhem de maneira coordenada para localizar, identificar e acompanhar uma embarcação submersa, utilizando diferentes sensores e informações compartilhadas.

Humaitá fará primeira missão internacional

A participação do Humaitá representa um dos principais destaques da edição deste ano. Incorporado à Marinha em 2024, o S41 é o segundo submarino convencional da Classe Riachuelo construído no Brasil dentro do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).

Construído no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, o submarino utiliza propulsão diesel-elétrica e foi desenvolvido a partir do projeto francês Scorpène, adaptado às necessidades brasileiras. O exercício na Argentina será seu primeiro desdobramento internacional, segundo a Marinha Argentina e fontes especializadas do setor de defesa.

A estreia internacional permite avaliar o desempenho do submarino em uma missão prolongada fora das águas brasileiras e, principalmente, sua capacidade de operar de forma integrada com unidades estrangeiras.

Para a Armada Argentina, a presença do Humaitá também oferece uma oportunidade importante de treinamento. Um submarino moderno pode atuar como alvo de exercícios de detecção e acompanhamento, permitindo que navios e aeronaves argentinos aperfeiçoem procedimentos de guerra antissubmarino.

Fragata Tamandaré simboliza renovação da Esquadra

Outro destaque brasileiro é a Fragata Tamandaré, primeira unidade da nova classe de navios que dá nome ao projeto de renovação da Esquadra brasileira.

A nova geração de fragatas foi concebida para ampliar a capacidade da Marinha em diferentes tipos de operação, incluindo guerra de superfície, defesa contra ameaças aéreas e guerra antissubmarino. A presença da F200 no exercício permite que seus sistemas sejam empregados em um ambiente multinacional e em coordenação com meios argentinos.

A participação também representa uma oportunidade para testar procedimentos de comunicação e integração entre uma das novas plataformas brasileiras e unidades de outra Marinha.

Cooperação militar supera desgaste político

A realização do exercício chama atenção porque ocorre em meio a um período de desgaste nas relações políticas entre os governos de Brasil e Argentina. Javier Milei já fez declarações críticas e ataques pessoais contra Lula, enquanto o governo brasileiro adotou uma postura de cautela diante dos episódios de tensão diplomática.

Apesar das divergências políticas, a cooperação militar entre os dois países permanece ativa. A própria documentação oficial argentina destaca que a manutenção do Fraterno é importante para o treinamento combinado e para atividades de elevada complexidade operacional.

A autorização para a entrada dos meios brasileiros foi formalizada pelo governo argentino no início de agosto. O decreto ressalta que o exercício contribui para a interoperabilidade, a estabilidade regional e o relacionamento estratégico entre os dois países.

O episódio mostra que a relação entre Estados não se limita às disputas políticas entre governos. Estruturas permanentes de cooperação, como exercícios militares, podem continuar funcionando mesmo quando há divergências entre os chefes de Estado.

Uma tradição de quase cinco décadas

Criado em 1978, o Fraterno atravessou diferentes momentos da história recente de Brasil e Argentina. Ao longo de quase cinco décadas, o exercício tornou-se um dos principais mecanismos de treinamento conjunto entre as duas Marinhas.

Além do aspecto operacional, a atividade contribui para a construção de confiança entre militares dos dois países. O planejamento conjunto permite que as forças conheçam procedimentos, equipamentos e doutrinas utilizadas pelo parceiro, reduzindo dificuldades de coordenação em eventuais operações reais.

O governo argentino também relaciona a atividade à segurança internacional e à estabilidade regional, destacando a importância da presença conjunta no Atlântico Sul.

Importância estratégica para o Atlântico Sul

A operação ocorre em uma região considerada estratégica para Brasil e Argentina. O Atlântico Sul concentra importantes rotas comerciais, áreas de exploração de recursos naturais e infraestrutura marítima, além de representar uma extensa área de responsabilidade para as duas forças navais.

Nesse contexto, exercícios como o Fraterno permitem que Brasil e Argentina aprimorem sua capacidade de atuar conjuntamente em situações que vão além de um eventual conflito militar, incluindo operações de busca e salvamento, proteção de rotas marítimas e outras missões de segurança no mar.

A edição de 2026 ganha um significado adicional justamente pela combinação de duas capacidades modernas brasileiras: a nova Fragata Tamandaré e o submarino Humaitá. Para a Marinha do Brasil, trata-se de uma oportunidade de apresentar e testar no exterior parte da renovação de sua Esquadra. Para a Argentina, o treinamento representa uma oportunidade de ampliar a integração operacional com um dos principais parceiros militares da região.

Assim, mesmo em um cenário de divergências políticas entre Lula e Milei, as forças navais dos dois países mantêm uma agenda de cooperação construída ao longo de décadas. O Fraterno XXXIX reforça que a relação militar bilateral possui mecanismos próprios de continuidade e permanece ativa no Atlântico Sul. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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