Brasil
Portaria de oito metros transforma acesso a condomínio em obra arquitetônica – Estrutura exigiu metodologia construtiva inédita e execução artesanal para garantir precisão nas curvas e acabamento arquitetônico do concreto
Habitualmente, a portaria cumpre um papel essencialmente funcional: controlar acessos e abrigar áreas administrativas. Mas ela atinge outro patamar no projeto do condomínio horizontal Opus Terra da Grama, em Senador Canedo, fruto da parceria da Opus e Partini. Com cerca de oito metros de altura, a composição de concreto aparente, projetada pelo arquiteto goiano internacionalmente premiado, Leo Romano, traz um desenho orgânico marcado por grandes curvas e superfícies contínuas. A estrutura foi concebida como elemento central do projeto urbanístico, não apenas um ponto de controle de acesso, mas uma obra com presença estética e escala monumental. O resultado se aproxima mais de uma escultura urbana do que de uma portaria convencional.
Segundo Leo Romano, famoso por projetos autorais cheios de identidade, que lhe renderam recentemente o iF Design Award 2026 -, a proposta foi desenvolver uma arquitetura que estabelecesse identidade própria ao empreendimento logo no primeiro contato, numa experiência arquitetônica que começa antes mesmo de atravessar os portões. “O Terra da Grama é um projeto arquitetônico com linhas originais, identidade e linguagem contemporânea. Buscamos sair de parâmetros mais tradicionais para trazer um desenho que dialoga com a rua e com a paisagem, sempre com uma proposta visual forte e inovadora”, afirma o arquiteto.
O desafio de construir o que foi desenhado
Se o projeto chama atenção pelo visual, sua execução também exigiu soluções pouco convencionais. Como a estrutura foi concebida em concreto aparente, sem revestimentos ou acabamentos posteriores, cada detalhe da construção precisou ser executado com elevado rigor para garantir a qualidade estética prevista no projeto.
De acordo com o engenheiro responsável pela obra, Saulo Ribeiro, o processo exigiu uma combinação de precisão técnica e trabalho artesanal. “O molde precisa ser executado com extrema precisão porque a superfície ficará exposta. Como não haverá revestimento posterior, todo o cuidado está concentrado na própria execução da peça”, explica.
Além do acabamento, outro desafio está na geometria da estrutura. Com curvas que mudam de direção ao longo de toda a composição, a portaria demandou um trabalho minucioso de fabricação e montagem para reproduzir fielmente o desenho concebido por Leo Romano. “Cada trecho possui uma curvatura própria. Isso exige um planejamento detalhado e um acompanhamento constante para que o resultado final mantenha a fidelidade ao desenho original”, afirma Saulo.
Com conclusão prevista para outubro de 2026, a portaria deverá se consolidar como um dos elementos mais emblemáticos do Opus Terra da Grama. “No fim, ela cumprirá sua função operacional, mas também terá um papel simbólico dentro do empreendimento. Será um elemento de identidade, um marco arquitetônico que representa o conceito do projeto”, conclui o engenheiro. Podcast edinhotaon/ Edno Mariano
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