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VACINAÇÃO NO RJ|Dia D de multivacinação no Rio amplia busca por crianças e adolescentes com doses atrasadas

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Mais de 400 pontos de atendimento estarão disponíveis neste sábado (22); campanha pretende recuperar esquemas vacinais e reforçar a proteção contra doenças graves

A cidade do Rio de Janeiro terá neste sábado (22) um esforço concentrado para atualizar a vacinação de crianças e adolescentes. O Dia D da Campanha de Multivacinação mobilizará mais de 400 pontos de atendimento espalhados pelo município, das 8h às 17h, em uma estratégia que busca alcançar famílias que ainda têm doses pendentes na caderneta.

A mobilização faz parte da campanha nacional iniciada em 3 de agosto e que segue até 1º de setembro. No Rio, além das unidades tradicionais da rede municipal de saúde, a Prefeitura levará a vacinação para locais de grande circulação, como praças, escolas, igrejas, associações de moradores e shoppings.

O objetivo não é aplicar indiscriminadamente todas as vacinas em todas as crianças. A proposta é verificar individualmente a situação de cada pessoa e completar apenas o que estiver faltando, conforme a idade e o histórico vacinal.

Estratégia busca encontrar quem ficou para trás

A campanha foi estruturada para alcançar principalmente crianças e adolescentes menores de 15 anos que estejam com alguma dose atrasada.

No Rio, a Secretaria Municipal de Saúde estima verificar aproximadamente 1,1 milhão de cadernetas até o encerramento da mobilização. Além da abertura de pontos extras, a secretaria informou que realizará ações de microplanejamento para identificar crianças e adolescentes com vacinação atrasada e ampliar a busca por esse público.

A estratégia é importante porque uma criança pode ter recebido parte das vacinas previstas e, ainda assim, permanecer desprotegida contra determinadas doenças por não ter completado o esquema.

Por isso, simplesmente perguntar se a criança “é vacinada” não é suficiente. É necessário verificar quais doses foram recebidas, em que datas e quais ainda são necessárias.

Vinte imunizantes fazem parte da estratégia nacional

A campanha de 2026 oferece 20 imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação, de acordo com idade, histórico e indicação.

Entre eles estão vacinas contra tuberculose, hepatites A e B, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, rotavírus, doenças pneumocócicas, meningites, influenza, covid-19, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, varicela, HPV e dengue.

Entre as crianças, podem ser atualizadas doses de BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite, rotavírus, pneumocócicas, meningocócicas, febre amarela, tríplice viral, varicela, DTP, hepatite A, influenza e covid-19, conforme o calendário.

Para adolescentes, a estratégia inclui, entre outras, a vacina contra o HPV, a meningocócica ACWY e a vacina contra a dengue, além da influenza, de acordo com as faixas etárias e o histórico de vacinação.

Nova vacina pneumocócica amplia proteção infantil

A campanha deste ano tem uma novidade importante no calendário brasileiro: a inclusão da vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20).

O imunizante amplia a proteção contra doenças provocadas pelo pneumococo, incluindo algumas formas de pneumonia e meningite, e passou a integrar o calendário para crianças menores de cinco anos, conforme o esquema indicado.

A novidade mostra que manter a caderneta atualizada não significa apenas recuperar doses antigas. A conferência também permite que a criança tenha acesso às mudanças incorporadas recentemente ao Programa Nacional de Imunizações.

Poliomielite ganha novo reforço

Outra atualização relevante ocorreu na vacinação contra a poliomielite.

Desde 3 de agosto de 2026, o esquema passou a incluir um segundo reforço da vacina inativada contra a poliomielite (VIP) aos quatro anos de idade.

O Brasil não registra casos de poliomielite há décadas, mas a doença ainda não foi erradicada mundialmente. Por isso, manter altas coberturas continua sendo uma medida fundamental para evitar a reintrodução do vírus no país.

A atualização da caderneta durante a campanha permite justamente identificar crianças que precisam receber esse novo reforço.

Sarampo volta a exigir atenção

O sarampo também aparece entre as preocupações das autoridades sanitárias.

O Ministério da Saúde decidiu intensificar a vacinação contra a doença em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo depois da identificação de casos relacionados à importação do vírus. Nesses municípios, a orientação durante a campanha é ampliar a vacinação para pessoas de 6 meses a 59 anos.

A situação serve como alerta para o restante do país.

O sarampo é altamente transmissível e a manutenção de coberturas elevadas é uma das principais ferramentas para impedir a circulação sustentada do vírus. O Ministério da Saúde ressalta que a vacinação protege não apenas quem recebe a dose, mas também ajuda a reduzir a circulação de agentes infecciosos na comunidade.

Brasil apresenta melhora, mas ainda há crianças sem nenhuma dose

Os dados nacionais mostram avanços recentes na vacinação infantil.

Segundo estimativas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Unicef, o número de crianças brasileiras que não receberam sequer a primeira dose da vacina pentavalente caiu de aproximadamente 360 mil em 2023 para 50 mil em 2025.

A redução representa uma melhora expressiva, mas o dado também mostra que ainda existem crianças que permanecem fora da proteção básica oferecida pelo calendário.

A campanha de multivacinação atua justamente nesse ponto: além de recuperar doses atrasadas, busca localizar crianças que não estão sendo alcançadas regularmente pelos serviços de vacinação.

Por que não deixar a vacinação atrasar?

Os esquemas vacinais são construídos considerando a idade em que cada imunizante oferece maior benefício e o intervalo necessário entre as doses.

Quando uma dose deixa de ser aplicada no período indicado, a criança pode permanecer vulnerável por mais tempo.

A recomendação, entretanto, não é abandonar o esquema quando há atraso. A orientação é procurar uma unidade de saúde para que os profissionais avaliem a situação e indiquem como atualizar a vacinação.

O Ministério da Saúde mantém calendários específicos para diferentes fases da vida, e as recomendações podem ser atualizadas conforme novas evidências e mudanças epidemiológicas.

Caderneta é importante, mas a falta dela não impede a busca por orientação

A Prefeitura orienta que pais e responsáveis levem a caderneta de vacinação ou outro comprovante disponível.

O documento permite que a equipe verifique quais doses já foram aplicadas e evite aplicações desnecessárias.

Mas quem perdeu a caderneta também deve procurar o serviço de saúde. A orientação é que a equipe avalie o histórico disponível e indique as vacinas necessárias, além de orientar sobre a emissão de uma segunda via.

A ausência do documento, portanto, não deve ser motivo para deixar de procurar atendimento.

Vacinas podem ser aplicadas no mesmo dia

Outro ponto destacado pela orientação municipal é que diferentes vacinas podem, em geral, ser administradas na mesma visita.

Isso facilita a atualização da caderneta e evita que a família precise retornar várias vezes à unidade de saúde para completar um esquema.

A vacinação durante a campanha será seletiva, ou seja, os profissionais verificarão o histórico individual e aplicarão as doses necessárias para completar o esquema correspondente à idade.

Mobilização tenta aproximar o SUS das famílias

A escolha de locais como shoppings, escolas, igrejas, praças e associações de moradores tem uma função estratégica.

Ao levar a vacinação para além das unidades tradicionais, o poder público tenta reduzir algumas das barreiras que fazem com que famílias deixem de atualizar as cadernetas.

Para quem trabalha durante a semana, tem dificuldade de deslocamento ou simplesmente não costuma procurar uma unidade de saúde, encontrar um ponto de vacinação em um local de circulação cotidiana pode facilitar o acesso.

O Dia D, portanto, funciona não apenas como uma campanha de comunicação, mas como uma tentativa de aproximar fisicamente o serviço de vacinação da população.

O desafio é manter a cobertura depois da campanha

O Dia D concentra esforços em uma data específica, mas a vacinação não termina no sábado.

A campanha nacional segue até 1º de setembro, e o Calendário Nacional permanece como referência permanente para crianças, adolescentes, adultos e idosos.

O desafio das autoridades é transformar a mobilização pontual em acompanhamento contínuo.

Isso significa identificar atrasos, fazer busca ativa, orientar famílias e garantir que novas doses sejam tomadas no momento adequado.

A vacinação é uma das principais ferramentas de prevenção disponíveis no sistema público de saúde. Quando a cobertura cai, doenças que estavam sob controle podem voltar a circular com maior facilidade.

Dia D acontece neste sábado

No Rio, a mobilização deste sábado (22) será realizada das 8h às 17h, com mais de 400 pontos de atendimento.

Pais e responsáveis devem levar a caderneta ou os comprovantes disponíveis para que os profissionais avaliem a situação individual de cada criança ou adolescente.

A orientação oficial é não esperar o surgimento de uma doença ou de um surto para verificar a vacinação.

O objetivo da campanha é justamente agir antes: identificar quem está com doses atrasadas, completar os esquemas e ampliar a proteção coletiva.

Com mudanças recentes no calendário, novos imunizantes incorporados ao SUS e a necessidade de manter doenças controladas longe da população, a campanha de 2026 representa também uma oportunidade para as famílias revisarem a proteção dos filhos e atualizarem a caderneta.

Em um cenário no qual doenças como sarampo e poliomielite continuam exigindo vigilância internacional, manter a vacinação em dia permanece uma das formas mais importantes de prevenção. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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