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ESPORTES|Bio Beach Open une esporte, ciência e inclusão em evento de beach tennis no Rio

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Competição reúne cerca de 200 atletas neste fim de semana e pretende transformar a modalidade em laboratório para pesquisas sobre desempenho, saúde e envelhecimento

O beach tennis, esporte que nos últimos anos deixou de ser uma prática restrita a determinados grupos e passou a conquistar adeptos de diferentes idades, será colocado no centro de uma experiência que pretende aproximar esporte, ciência e inclusão social no Rio de Janeiro.

Neste sábado e domingo (22 e 23), acontece o Bio Beach Open, evento que combina competição oficial de beach tennis com atividades voltadas à produção de conhecimento científico e à promoção da prática esportiva como ferramenta de qualidade de vida.

A iniciativa conta com fomento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e parte de uma constatação ainda pouco explorada academicamente: apesar da rápida expansão do beach tennis, a modalidade ainda possui uma produção científica relativamente pequena quando comparada a esportes mais tradicionais.

A proposta, portanto, é utilizar o evento não apenas como uma competição, mas como um ambiente para observar os efeitos da prática esportiva sobre diferentes públicos.

Da quadra para o laboratório

A ideia central do Bio Beach Open é aproximar três universos que normalmente aparecem separados: a comunidade, a pesquisa científica e o esporte de alto rendimento.

A CEO do evento, Ingrid Tarditi, afirma que a iniciativa pretende abrir novos caminhos de pesquisa sobre o beach tennis e, simultaneamente, demonstrar os possíveis efeitos da atividade física em diferentes fases da vida.

A proposta envolve desde crianças que estão tendo os primeiros contatos com o esporte até adultos e idosos que procuram a modalidade como forma de lazer, socialização e manutenção da saúde.

Esse recorte amplia o significado da competição.

Em vez de observar apenas quem vence uma partida, o projeto busca entender o que acontece com o corpo e com a qualidade de vida de pessoas submetidas regularmente à prática esportiva.

Um esporte que atravessa gerações

Uma das características do evento é justamente a diversidade etária.

A programação foi pensada para reunir participantes de diferentes faixas de idade e níveis de experiência.

A competição terá categorias para atletas a partir dos 12 anos e também contará com participantes com 65 anos ou mais.

Essa amplitude permite abordar o beach tennis sob perspectivas diferentes.

Para crianças e adolescentes, a prática pode estar relacionada à iniciação esportiva, desenvolvimento motor e formação de hábitos de atividade física.

Entre adultos, pode funcionar como exercício, lazer e socialização.

Para pessoas mais velhas, o esporte pode ser estudado dentro de uma perspectiva de envelhecimento ativo, desde que praticado de maneira adequada à condição física de cada participante.

É essa diversidade que transforma o evento em uma oportunidade para pesquisadores observarem diferentes respostas à atividade física.

O desafio científico

Embora o beach tennis tenha crescido rapidamente, ainda existe espaço para ampliar o conhecimento científico específico sobre a modalidade.

Esportes de areia apresentam características particulares: deslocamentos curtos e intensos, mudanças frequentes de direção, movimentos de aceleração e desaceleração e exigência de coordenação entre membros superiores e inferiores.

A superfície também interfere na movimentação.

A areia exige maior esforço para determinados deslocamentos e pode modificar a maneira como o atleta distribui força e equilíbrio durante a partida.

Para o alto rendimento, compreender essas características pode ajudar pesquisadores e profissionais do esporte a estudar desempenho, prevenção de lesões, preparação física e recuperação.

Para o praticante recreativo, o interesse científico está relacionado principalmente aos efeitos da atividade física sobre saúde e qualidade de vida.

Alto rendimento e participação popular no mesmo espaço

Outro diferencial do Bio Beach Open é tentar aproximar atletas de diferentes níveis.

A competição deverá reunir aproximadamente 200 participantes, incluindo jogadores amadores e atletas de alto rendimento.

A presença de competidores experientes cria uma oportunidade para que praticantes iniciantes tenham contato com um ambiente competitivo e observem diferentes níveis de desempenho.

Ao mesmo tempo, a participação de amadores reforça a ideia de que o esporte não precisa estar restrito ao universo profissional.

Essa combinação também permite que o evento seja analisado sob diferentes perspectivas: o que caracteriza o desempenho de um atleta de alto nível? Quais diferenças existem entre praticantes recreativos e competitivos? Como idade, experiência e frequência de treinamento interferem nos resultados?

São perguntas que podem ajudar a ampliar a produção científica sobre a modalidade.

Competição com chancela esportiva

Além da programação científica, o Bio Beach Open terá uma competição oficial de beach tennis.

A disputa conta com chancela da Federação Carioca de Beach Tennis e da Confederação Brasileira de Beach Tennis.

Os resultados poderão gerar pontuação para os rankings estadual e brasileiro, conforme as regras das respectivas entidades.

Para os atletas, isso acrescenta uma dimensão competitiva ao evento.

A competição deixa de ser apenas uma atividade paralela de um projeto científico e passa a integrar o calendário esportivo da modalidade, permitindo que jogadores busquem resultados com repercussão em seus rankings.

As inscrições para a disputa têm taxa de R$ 50.

Inclusão como parte do projeto

A presença de categorias para diferentes idades também se relaciona diretamente ao conceito de inclusão defendido pelo evento.

A intenção é mostrar que o beach tennis pode ser praticado por pessoas com diferentes níveis de experiência e em diferentes momentos da vida.

Isso não significa, naturalmente, que todas as pessoas devam praticar o esporte da mesma maneira.

A intensidade, a preparação física e os cuidados necessários podem variar significativamente de acordo com idade, experiência e condição individual.

O ponto central do projeto é ampliar as possibilidades de acesso à modalidade e estimular a participação esportiva de públicos que normalmente não estão inseridos no ambiente do alto rendimento.

Esporte como ferramenta de prevenção

A relação entre atividade física e saúde é outro eixo importante da iniciativa.

A prática regular de exercícios está associada a benefícios para diferentes aspectos da saúde física e mental. No caso de um esporte coletivo ou praticado em duplas, há ainda uma dimensão social que pode contribuir para a adesão à atividade.

No beach tennis, a interação entre os jogadores acrescenta um componente de convivência que pode ser particularmente interessante para pessoas que procuram uma atividade física acompanhada de socialização.

Para idosos, por exemplo, a prática de atividades físicas adaptadas pode fazer parte de estratégias de envelhecimento saudável.

O evento pretende explorar justamente essas possibilidades e gerar conhecimento específico sobre a modalidade.

Por que a ciência se interessa pelo beach tennis

O crescimento de um esporte cria novas perguntas para pesquisadores.

Quanto mais pessoas praticam determinada modalidade, maior é a necessidade de compreender suas características fisiológicas, biomecânicas e comportamentais.

No beach tennis, algumas questões podem envolver gasto energético, exigência cardiovascular, movimentos mais frequentes, risco de lesões, recuperação após partidas e diferenças de desempenho entre faixas etárias.

A pesquisa também pode ajudar a compreender como a modalidade deve ser ensinada e praticada de forma segura.

No alto rendimento, conhecimento científico pode ser utilizado para aperfeiçoar treinamento e preparação.

No esporte recreativo, pode ajudar a orientar práticas adequadas e estratégias de prevenção.

Um evento que pretende deixar legado

O principal objetivo do Bio Beach Open não é apenas realizar uma competição durante um fim de semana.

A proposta apresentada pelos organizadores é criar uma base para que o beach tennis seja estudado de maneira mais sistemática.

Esse aspecto é particularmente relevante porque modalidades esportivas que crescem rapidamente nem sempre são acompanhadas, na mesma velocidade, por uma produção científica capaz de responder às novas demandas de praticantes e treinadores.

Ao reunir atletas, pesquisadores e comunidade, o evento tenta criar uma ponte entre a popularização do esporte e a produção de conhecimento.

O resultado esperado é que a experiência possa gerar novos estudos e estimular futuras pesquisas.

Mais do que uma competição

O Bio Beach Open chega ao fim de semana com uma proposta que vai além da disputa por medalhas e posições no ranking.

A competição reúne atletas amadores e profissionais, enquanto o projeto científico amplia o olhar para crianças, adultos e idosos.

A partir dessa combinação, o beach tennis é apresentado não apenas como uma modalidade competitiva, mas como uma ferramenta potencial de atividade física, convivência social, pesquisa e promoção da qualidade de vida.

O desafio será transformar a experiência pontual do evento em conhecimento que possa ser aproveitado posteriormente por atletas, treinadores, profissionais de saúde e praticantes.

Se isso acontecer, o torneio poderá deixar um legado que vai além dos resultados registrados nas quadras: contribuir para que uma modalidade em expansão também avance no campo da ciência. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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