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TRANSPORTE NO RIO|Prefeitura amplia prazo para pagamento em dinheiro nos ônibus após decisão da Justiça e acelera transição para sistema digital
A Prefeitura do Rio decidiu estender até o dia 28 de junho a circulação do dinheiro em espécie nos ônibus municipais da capital. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (28) pelo prefeito Eduardo Cavaliere e ocorre após determinação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que autorizou a retirada gradual do pagamento em dinheiro, mas considerou necessário um período maior de adaptação para a população.
A prorrogação representa mais um capítulo da reformulação do sistema de bilhetagem do transporte público carioca, uma das principais apostas da prefeitura para modernizar o serviço, ampliar o controle operacional e reduzir problemas relacionados à circulação de dinheiro dentro dos coletivos.
A mudança havia sido inicialmente programada para entrar em vigor em 12 de maio. Pelo plano original, os passageiros só poderiam embarcar utilizando o cartão Jaé, o Bilhete Único Intermunicipal (BUI) ou outras formas eletrônicas de pagamento. A repercussão da medida, no entanto, gerou críticas de usuários, defensores do consumidor e entidades civis, principalmente por causa das dificuldades enfrentadas por passageiros sem acesso a serviços bancários digitais ou cartões.
Com a decisão judicial, o município ganhou mais tempo para concluir a expansão da infraestrutura tecnológica nos ônibus e também para ampliar os pontos físicos de atendimento e recarga do cartão Jaé. Segundo a prefeitura, o objetivo é garantir que a transição ocorra sem prejudicar trabalhadores, idosos, turistas e moradores de áreas com menor acesso à internet e serviços financeiros.
Desde o último dia 22, os ônibus municipais passaram a aceitar pagamentos por Pix e cartões de débito e crédito por aproximação diretamente nos validadores instalados nos veículos. A novidade aproxima o Rio de Janeiro de modelos já utilizados em cidades como São Paulo, Londres e Nova York, onde sistemas digitais substituíram gradualmente o uso do dinheiro em espécie no transporte coletivo.
A prefeitura argumenta que a digitalização traz vantagens operacionais e de segurança. Entre os principais pontos defendidos pela administração municipal estão a redução de assaltos a ônibus, a diminuição de fraudes no sistema de bilhetagem e maior rapidez no embarque dos passageiros, reduzindo o tempo de parada nos pontos.
Especialistas em mobilidade urbana avaliam que a tendência de eliminação do dinheiro físico no transporte público deve avançar nos próximos anos em grandes cidades brasileiras. No entanto, alertam que a mudança exige inclusão digital e planejamento social para evitar exclusão de usuários mais vulneráveis.
A decisão do desembargador José Roberto Portugal Compasso, do TJRJ, levou justamente esse fator em consideração. Embora tenha reconhecido a legalidade da modernização proposta pela prefeitura, o magistrado entendeu que a retirada imediata do dinheiro poderia gerar impactos sociais relevantes sem uma adaptação adequada da população.
Nos bastidores, a gestão municipal também trabalha para consolidar o Jaé como principal plataforma de mobilidade urbana do Rio. O sistema deve integrar futuramente diferentes modais de transporte e serviços públicos municipais em uma única base digital de pagamento e identificação dos usuários.
Enquanto isso, até o fim de junho, passageiros ainda poderão utilizar dinheiro normalmente nos ônibus municipais da cidade, paralelamente às novas modalidades eletrônicas que vêm sendo implementadas pela prefeitura. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano