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TORCEDOR SANGUE BOM|Projeto aprovado na Alerj transforma rivalidade entre torcidas em incentivo à doação de sangue no Rio

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A tradicional rivalidade entre os clubes cariocas pode ganhar um novo significado nos próximos meses: salvar vidas. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou nesta quarta-feira (27), em discussão única e regime de urgência, o Projeto de Lei 2.707/23, que cria o programa “Torcedor Sangue Bom”. A proposta é de autoria do deputado estadual Thiago Gagliasso (PL) e estabelece uma competição solidária entre torcidas organizadas e torcedores dos clubes esportivos do estado por meio da doação de sangue.

A ideia do programa é transformar a paixão pelo futebol em uma ferramenta permanente de mobilização social, estimulando campanhas de doação em períodos críticos para os estoques dos hemocentros fluminenses, especialmente durante feriados prolongados, férias escolares e grandes eventos, quando o número de doadores costuma cair drasticamente.

Pelo texto aprovado, os voluntários deverão informar o clube para o qual torcem no momento da doação. A partir desses dados, será criado um ranking proporcional entre as torcidas. Diferentemente de uma contagem absoluta, a classificação levará em consideração o tamanho estimado de cada torcida, permitindo que clubes menores também tenham chances reais de conquistar o título simbólico de “torcida mais solidária”.

Parceria entre clubes e Hemorio

O projeto prevê a realização de parcerias entre o governo estadual, clubes esportivos e o Hemorio para instalação de unidades móveis de coleta em estádios, arenas esportivas e centros de treinamento, principalmente em dias de jogos e grandes clássicos do futebol carioca.

Nos confrontos entre dois grandes clubes, a proposta determina que haja estrutura para participação simultânea das duas torcidas, criando uma espécie de “clássico da solidariedade”. A expectativa é que as ações possam reunir milhares de torcedores em campanhas coordenadas antes das partidas.

Além do futebol, o texto também abre espaço para participação de torcedores de outras modalidades esportivas presentes no estado.

Estoques de sangue vivem situação delicada

A aprovação do programa acontece em um momento de atenção para os bancos de sangue do Rio de Janeiro. O Hemorio frequentemente enfrenta dificuldades para manter estoques estáveis, especialmente dos tipos sanguíneos negativos, considerados mais raros.

Segundo especialistas da área da saúde, apenas uma pequena parcela da população brasileira doa sangue regularmente, apesar de o procedimento ser seguro e rápido. Uma única bolsa de sangue pode ajudar até quatro pessoas em tratamentos, cirurgias, emergências e atendimentos de alta complexidade.

Campanhas temáticas ligadas ao esporte já foram realizadas anteriormente em diversos estados brasileiros e costumam apresentar resultados positivos devido ao forte engajamento emocional dos torcedores com seus clubes.

Proteção de dados e cadastro unificado

O projeto também prevê a criação de um banco de dados integrado dos doadores, que ficará sob responsabilidade do Poder Executivo estadual. Segundo o texto, todas as informações deverão seguir as normas estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo sigilo e segurança das informações pessoais dos participantes.

A medida pretende permitir o acompanhamento estatístico das campanhas e facilitar futuras convocações emergenciais de doadores em momentos de baixa nos estoques.

Próximos passos

Apesar da aprovação em plenário, o texto ainda não seguirá imediatamente para sanção. Como recebeu emendas parlamentares durante a tramitação em regime de urgência, o projeto precisará passar por redação final na Alerj antes de ser encaminhado ao governador Cláudio Castro, que decidirá pela sanção ou veto da proposta.

Caso seja sancionado, caberá ao governo regulamentar o funcionamento do programa, definir critérios oficiais para cálculo proporcional das torcidas e estabelecer o calendário das campanhas em parceria com os clubes e o Hemorio.

A expectativa de parlamentares favoráveis ao projeto é que a iniciativa ajude não apenas a reforçar os estoques de sangue no estado, mas também a aproximar o futebol de ações permanentes de responsabilidade social. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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