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SEGURANÇA PÚBLICA| Programa reúne profissionais para buscar estratégias contra domínio territorial do crime no Rio

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Iniciativa reúne policiais, promotores, juízes e servidores do sistema penitenciário em formação que inclui imersão em Medellín, na Colômbia

Um programa de formação reúne 38 profissionais das áreas de segurança pública e Justiça para desenvolver estratégias de enfrentamento ao domínio territorial de grupos criminosos no Rio de Janeiro. A iniciativa reúne oficiais da Polícia Militar, delegados da Polícia Civil, integrantes do Ministério Público, juízes e servidores do sistema penitenciário.

Criado pelo Leme, Laboratório para Redução da Violência, em parceria com a FGV EBAPE e a Universidad EAFIT, da Colômbia, o programa começou em março e combina formação acadêmica com a elaboração de projetos voltados aos principais desafios da segurança pública fluminense.

A turma é formada por 14 oficiais superiores da PM, dez delegados da Polícia Civil, sete integrantes do Ministério Público, quatro juízes do Tribunal de Justiça e três servidores da Secretaria de Administração Penitenciária.

Segundo Joana Monteiro, diretora e cofundadora do Leme e coordenadora da iniciativa, um dos objetivos é aproximar instituições que atuam em diferentes etapas do combate à criminalidade. A proposta é criar espaços de discussão conjunta e desenvolver alternativas de médio e longo prazo para problemas complexos.

Domínio territorial

O programa trata o domínio territorial como um fenômeno que vai além do tráfico de drogas. Organizações criminosas podem controlar áreas, impor regras, explorar atividades econômicas, cobrar extorsões e interferir na circulação de moradores e no funcionamento de serviços.

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram a dimensão do problema. Em 2025, 41,7% dos veículos recuperados no estado do Rio foram encontrados em áreas classificadas como sujeitas ao controle de grupos criminosos. O levantamento analisou 17.228 recuperações e identificou 947 áreas com esse tipo de característica.

O cenário também envolve a diversificação das atividades criminosas. Além do controle territorial, autoridades passaram a tratar como prioridades o combate à lavagem de dinheiro, à exploração econômica, à extorsão e à infiltração de organizações criminosas em diferentes setores.

Experiência de Medellín

Como parte da formação, os participantes viajaram para Medellín, na Colômbia, para uma etapa de imersão com aulas, seminários e visitas técnicas.

A cidade foi escolhida pela experiência acumulada no enfrentamento à violência urbana e ao crime organizado. Os profissionais estudam temas como controle territorial, extorsão, mercados criminais, governança e análise de dados aplicada à segurança pública.

A intenção, no entanto, não é simplesmente reproduzir no Rio modelos adotados na Colômbia. A proposta é analisar quais estratégias podem ser adaptadas à realidade brasileira e quais diferenças precisam ser consideradas.

Integração e uso de dados

Outro foco da formação é a segurança pública baseada em evidências. A utilização de dados pode ajudar na identificação de padrões criminais, direcionamento de recursos e avaliação dos resultados das políticas adotadas.

A integração entre as instituições também é considerada fundamental. Policiais, Ministério Público, Judiciário e sistema penitenciário possuem funções diferentes, mas suas decisões estão diretamente conectadas no enfrentamento às organizações criminosas.

Ao longo do programa, os participantes também desenvolvem projetos voltados aos problemas do Rio. A expectativa é que a formação resulte em propostas práticas e fortaleça a cooperação entre os diferentes órgãos responsáveis pela segurança e pela Justiça.

A iniciativa ocorre em um momento de ampliação das ações de combate ao crime organizado no estado, com maior articulação entre órgãos estaduais e federais e preocupação crescente com a influência das organizações criminosas sobre territórios, atividades econômicas e até processos eleitorais. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

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