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PATRIMÔNIO RECUPERADO | Peças sacras do século XVIII retornam à Igreja de Santa Luzia após serem encontradas em fazenda no Sul Fluminense
Dois tocheiros sacros históricos pertencentes à Igreja da Irmandade da Virgem e Mártir Santa Luzia, no Centro do Rio, foram devolvidos nesta quarta-feira (27) após uma operação conduzida pela Polícia Federal em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As peças, consideradas de alto valor histórico, artístico e religioso, estavam desaparecidas havia décadas e foram encontradas sendo utilizadas como objetos decorativos em uma fazenda de Vassouras, no Sul Fluminense.
Os tocheiros fazem parte do patrimônio tombado da tradicional Igreja de Santa Luzia, um dos templos mais antigos e simbólicos da cidade do Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, os objetos estavam adaptados como abajures ornamentais dentro da propriedade rural, descaracterizando completamente sua função litúrgica original.
A descoberta ocorreu durante o cumprimento de um mandado judicial relacionado à apuração de possíveis crimes envolvendo patrimônio histórico e antiguidades. Ao identificar características compatíveis com peças sacras coloniais, os agentes acionaram especialistas do Iphan/RJ para realizar a análise técnica dos objetos.
Após exames detalhados, levantamento fotográfico e cruzamento de informações com arquivos históricos da igreja e do instituto, os técnicos confirmaram a autenticidade e a origem dos tocheiros. Os laudos apontaram que as peças integravam originalmente o retábulo do consistório da Igreja de Santa Luzia, estrutura interna tradicionalmente utilizada em cerimônias religiosas e reuniões administrativas da irmandade.
A restituição foi realizada em cerimônia simbólica nesta quarta-feira, marcando o retorno oficial das peças ao acervo religioso da igreja. Representantes da irmandade classificaram o momento como “histórico” e destacaram a importância da preservação da memória sacra brasileira.
Fundada ainda no período colonial, a Igreja de Santa Luzia é reconhecida como um dos marcos religiosos e arquitetônicos do Centro do Rio. O templo possui forte ligação com a história da cidade, especialmente por sua localização próxima à antiga orla da Baía de Guanabara antes dos grandes aterros urbanos realizados no século XX.
Casos envolvendo desaparecimento, comércio irregular e descaracterização de obras sacras históricas preocupam autoridades e especialistas em preservação patrimonial. Muitas dessas peças acabam em coleções particulares, antiquários clandestinos ou propriedades privadas sem qualquer controle público, dificultando processos de rastreamento e recuperação.
O Iphan informou que o trabalho de identificação de bens históricos desaparecidos vem sendo intensificado nos últimos anos, principalmente em igrejas e instituições religiosas antigas, frequentemente alvo de furtos e desvios patrimoniais. A recuperação dos tocheiros é considerada um exemplo da importância da cooperação entre órgãos de investigação e preservação cultural.
As peças passarão agora por novos procedimentos de conservação e catalogação antes de serem reintegradas definitivamente ao espaço litúrgico da igreja. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano