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Padel traciona no Brasil, ganha novos públicos e derruba o mito de “modalidade elitizada”
Atleta e professor brusquense comenta crescimento do esporte em toda a região
Brusque (SC), 17 de fevereiro de 2026 – O padel, esporte de raquete jogado em duplas e em quadra cercada por vidros e telas, vive um momento de forte expansão no Brasil e no mundo. Dados do FIP World Padel Report 2025, da Federação Internacional de Padel (FIP), apontam que a modalidade já ultrapassou 35 milhões de praticantes e alcançou 77.300 quadras e mais de 24.600 clubes, espalhados por 150 países e 20 territórios, um salto expressivo em relação ao ano anterior.
No Brasil, o movimento é igualmente acelerado. Segundo reportagem da Exame, com números atribuídos à Confederação Brasileira de Padel, o país registra a inauguração de cerca de três novas quadras por dia, com aproximadamente 350 clubes e mais de 700 mil jogadores amadores, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
Em Brusque e região, a tendência se reflete na procura por aulas e competições. O atleta e professor Ignacio Giuliani, que atua como instrutor no município e participa de diversos torneios, destaca que o padel combina intensidade esportiva com uma curva de aprendizado mais amigável para iniciantes, e, por isso, vem atraindo perfis variados, de quem busca performance a quem quer bem-estar e socialização.
“O padel é democrático porque começa rápido: em pouco tempo a pessoa já se diverte, já consegue trocar bola e entender o jogo. E como é em dupla, vira um esporte muito social. Você faz amigos, cria rotina e evolui com constância”, afirma o desportista,
A percepção de que o padel seria “elitizado” também tem sido colocada à prova na prática. Com a multiplicação de clubes, horários promocionais, turmas para iniciantes e possibilidade de aluguel de equipamentos em muitas arenas, o acesso se ampliou e a modalidade passou a disputar espaço com outras práticas recreativas em ascensão.
Globalmente, análises setoriais também projetam crescimento contínuo: a plataforma Playtomic, em parceria com a consultoria Strategy& (PwC), aponta que a expansão pode levar o mundo a 70 mil quadras até 2026 (projeção do relatório).
Entre os novos praticantes está a product designer Raissa de Paiva Santana, 37 anos, que começou há pouco tempo e relata que a experiência tem sido mais acolhedora do que imaginava, inclusive do ponto de vista de comunidade e pertencimento.
“Eu tinha a impressão de que era um esporte ‘de nicho’, mas quando comecei vi que é muito mais acessível do que parece. O ambiente ajuda: as pessoas jogam, conversam, marcam partidas. É um esporte que dá vontade de continuar”, diz Raissa.
Ignacio avalia que, além do apelo social, a modalidade se sustenta pela dinâmica do jogo e pela oferta crescente de eventos. O FIP World Padel Report 2025 registra, por exemplo, aumento de torneios organizados pela entidade (de 182 em 2024 para 290 em 2025) e crescimento do número de membros registrados em federações nacionais.
“A procura cresceu muito. Muita gente chega pelo lado recreativo e, quando percebe, quer treinar, participar de torneios e melhorar. Isso cria um ciclo: mais alunos, mais jogos, mais campeonatos; e o esporte vai se consolidando na cidade e na região”, completa.
Podcast edinhotaon/ Edno Mariano