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Olaff Crown: “Uma exposição que inquieta, provoca e faz pensar”
Por Luzia Moraes
Neiva, Huila, 14 de agosto de 2026
O Museu de Arte Contemporânea de Neiva apresentou ontem à noite “Instruções para Habitar um Labirinto”, do multifacetado artista colombiano-venezuelano Olaff Crown, um projeto que transforma o livro em uma experiência artística, sensorial e interativa. A obra despertou interesse nos círculos culturais devido ao seu inovador sistema de publicação; ela destaca as diversas texturas do papel, costuras, chaves, aromas e elementos que convidam o leitor a interagir fisicamente com o objeto.
O evento reuniu importantes representantes da cena cultural de Huila, incluindo María Liliana Quimbaya Bahamón, Secretária de Cultura do Departamento de Huila; Miguel Dario Polanía, Coordenador da Biblioteca Departamental Olegario Rivera; e Dora Emilse Fernández Sotelo, Coordenadora de Museus de Huila.
Também presente estava César Rincón, diretor da Associação Cultural Arte Sem Fronteiras pela Paz, organização dedicada ao intercâmbio e à promoção artística na região.
Após a apresentação da coordenadora da Biblioteca Departamental, a noite tomou um rumo nitidamente literário. “Instruções para Habitar um Labirinto não é um manual de respostas, nem um livro de autoajuda, apesar da provocação inerente ao título. Pelo contrário, é um híbrido de narrativa e poesia, construído a partir de metáforas, imagens e situações que levam o leitor a mergulhar nos domínios da imaginação, do desejo, da memória e da consciência humana”, enfatizou o autor.
Crown não oferece instruções para escapar do labirinto; ele propõe habitá-lo. E aí reside grande parte do poder de sua proposta: transformar o labirinto em uma metáfora da existência, daquilo que buscamos, perdemos, desejamos e descobrimos enquanto nos esforçamos para nos compreender.
Crown insistiu que “a escrita transita entre o poético e o narrativo, com um peso simbólico que exige do leitor mais do que uma leitura rápida: parar, interpretar, imaginar e completar com a própria experiência o que o autor deliberadamente deixa em aberto. O livro torna-se, assim, um território de múltiplas leituras, onde cada metáfora pode levar a uma nova pergunta”.
Nesse sentido, o “livro”, ou obra de arte portátil, concebido por Crown não é meramente um suporte para seus textos. É parte essencial da experiência artística: palavra, matéria e imagem se unem para construir um labirinto sem uma única saída.
A noite quente em Neiva permitiu precisamente isso: entrar no universo de Olaff Crown e descobrir que, às vezes, se perder também pode ser uma forma de se encontrar.
A exposição de Olaff Crown estará aberta durante todo o mês de agosto no Museu de Arte Contemporânea Huila, em Neiva, com entrada gratuita. A mostra apresenta uma visão artística que explora o erotismo, a arte sugestiva, a literatura e a poesia visual, convidando à reflexão sobre o desejo, a condição humana e as diversas formas de vivenciar a arte.