Literatura

Mulheres foram destaque na Bienal do Livro Bahia

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  • Cláudia Correia

A Bienal do Livro Bahia, que aconteceu de 15 a 21 de abril, no Centro de Convenções de Salvador, com o tema “Bahia: identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo”, reuniu autores nacionais e baianos renomados, como Itamar Vieira Junior, Tia Má, Douglas Silva, Ailton Krenak, Leda Maria Martins e Raphael Montes, além de palestras e atrações.
A curadoria ficou por conta dos baianos: Josélia Aguiar, Itamar Vieira Junior, Aldri Anunciação, Deco Lipe, Maíra Azevedo e Mira Silva. O destaque dessa edição foi o forte incentivo à leitura, com investimento do Governo da Bahia em vales-livros para estudantes e professores da rede estadual, credenciamento gratuito para educadores, autores e profissionais da Comunicação.

A produção das mulheres escritoras, em diferentes gêneros literários, predominou nos estandes das livrarias e das editoras privadas e públicas como a Empresa Gráfica da Bahia -EGBA e a Universidade Federal da Bahia-UFBA. Para Heloísa Lima, proprietária da Editora Alacazim e autora, a Bienal reafirmou o protagonismo da escrita feminina e fortaleceu o diálogo entre autores, leitores e o mercado editorial. “Um evento que amplia vozes e demonstra a diversidade literária baiana, em um espaço plural de cultura, reflexão e transformação”, afirmou. Ela é uma das autoras da Coletânea poética “Entre Palavras e Marés”: Vozes Femininas”, lançada dia 16 pela Editora Cogito e a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil- Seção Bahia-AJEB. A AJEB congrega em todo o país cerca de 800 escritoras e é liderada na Bahia por Lísias Azevedo, cujo trabalho em parceria com a Fundação Pedro Calmon e outras instituições, tem permitido a participação das associadas em feiras literárias no interior baiano, em coletâneas promovidas no estado e fora do país. Jornalistas como Maíra Azevedo (“A Menina do cabelo mágico”), Carla Visi (“FemininAXÉ: o axé tem mátria e sua voz é ancestral”) e Joana D’Arck (“Feito Íntimo”) promoveram encontros para autógrafos de seus livros, atraindo um grande público.

No auditório Vozes da Bahia, gerido pela Fundação Pedro Calmon, 84 autores e autoras foram selecionados através de edital para mostrarem seu talento em formato de palestras, com mediação de nomes de destaque da literatura baiana, promovendo diálogos potentes e enriquecedores. O auditório também foi palco para a Academia de Letras da Bahia (ALB), que discutiu os dilemas da literatura local, e para coletivos como o Raiz Livraria, que apresentou “A história por trás da história.

No Café Literário o público participou de debates potentes, a exemplo da Mesa “Festas, feiras e festivais literários”, com Ricardo Ishmael e Bárbara Carine, e mediação do diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães e a Mesa “Sobrevivência intelectual na era das fake news”, com os jornalistas Jean Wyllys, Midiã Noelle, Emiliano José e mediação de Tarsilla Alvarindo.

Com uma curadoria diversa, a programação infantil destacou apresentações performáticas de contos indígenas, narrativas musicais como as aventuras de um marinheiro em ilhas mágicas baianas e atividades focadas no desenvolvimento da primeira infância, como a Turma da Jaquinha e o livro “O menino que era música”, de Liris Letieres, história de ficção inspirada na vida do maestro Letieres Leite.

A produção literária conectada com as lutas dos povos originários, reforçando o poder da narrativa indígena na construção da identidade brasileira foi exposta no encontro “Literatura Indígena: textos, contextos e sarau”, um espaço vital de celebração e resistência através das palavras. A atividade reuniu vozes fundamentais como Cacique Juvenal Payayá, Ademario Payayá, Ezequiel Vitor Tuxá, Casé Angatu e Ane Kethleen Pataxó.

Foto (divulgação): Mulheres foram protagonistas na edição 2026 da Bienal do Livro Bahia

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