Brasil
Mudança do Garcia reafirmou status de palco mais democrático do Carnaval de Salvador
A tradicional Mudança do Garcia completou 96 anos nesta segunda-feira de Carnaval (2026), consolidando-se mais uma vez como um dos movimentos mais autênticos e democráticos da folia baiana. Sem cordas e aberta ao público, a manifestação tomou o Circuito Riachão — do bairro do Garcia até a lateral do Teatro Castro Alves, no Campo Grande — em um cortejo que durou quase duas horas.
Mantendo sua essência histórica, o desfile foi um mosaico cultural e político. Bandas de sopro, charangas e minitrios dividiram espaço com faixas de protesto e reivindicações sociais, marca registrada do bloco desde sua fundação na década de 1920. A animação musical ficou por conta de dois trios elétricos principais, comandados pela cantora Cláudya Costta e pelo Grupo Viola de 12.
Um dos grandes destaques da edição de 2026 foi a união de forças políticas em prol da cultura. O evento contou com o apoio simultâneo da Prefeitura Municipal de Salvador e do Governo do Estado da Bahia, garantindo a infraestrutura necessária para o sucesso do cortejo. Rodnei Martinez, presidente da Coordenador da Mudança do Garcia, celebrou a harmonia institucional: “Tanto a Prefeitura quanto o Governo do Estado entendem a importância da Mudança do Garcia, e isso é de fundamental importância para que realizemos um desfile de paz e fluindo com ordem total. Foram apoios fundamentais”, afirmou Martins.
Criada por moradores com o intuito de ocupar as ruas para brincar e, ao mesmo tempo, expressar críticas políticas, a Mudança do Garcia segue sendo um baluarte do carnaval sem segregações. Já visando o futuro, a organização planeja novidades. Para o ano de 2027, quando o evento se aproximará ainda mais do seu centenário, Rodnei promete inovações, mas sem perder a essência: “Aqui somos democráticos e vamos continuar, cada vez mais, dando espaço para todos os tipos de manifestação”, conclui.