Esporte
MPRJ investiga suspeita de desvio de R$ 1 milhão por mês e superlotação no Maracanã
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou um inquérito civil para apurar um esquema de possível desvio de R$ 1 milhão por mês na gestão do Maracanã. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ) desde 26 de agosto, apura irregularidades na emissão de borderôs e na venda de ingressos acima da capacidade máxima permitida em jogos com mando de Flamengo e Fluminense — clubes que gerenciam o estádio por meio da empresa Fla-Flu Serviços S.A.
O levantamento do órgão indica que, em pelo menos 16 partidas realizadas desde dezembro de 2025, houve oferta ou comercialização de bilhetes excedendo o limite dos setores. O problema de superlotação foi identificado em 11 jogos do Flamengo, quatro do Fluminense e no clássico decisivo do Campeonato Carioca de 2026. Para instruir a investigação, o GAEDEST enviou ofícios aos clubes, à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), às empresas de bilhetagem e aos órgãos de segurança pública. Os notificados devem apresentar o quantitativo exato de ingressos vendidos, gratuidades e cortesias emitidas, além do público que efetivamente acessou cada setor, justificando tecnicamente as divergências encontradas.
Conclusão
A apuração do MPRJ expõe um cenário alarmante que vai além do impacto financeiro: a comercialização de ingressos acima da capacidade operacional coloca em risco direto a segurança e o bem-estar dos torcedores no estádio. Caso as irregularidades nos borderôs e na gestão de acesso sejam confirmadas, o caso poderá resultar em punições administrativas severas aos administradores, obrigatoriedade de ressarcimento dos valores desviados e na imposição de novas diretrizes rígidas para garantir a transparência na venda de bilhetes no futebol carioca. Por podcast edinhotaon / Edno Mariano