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MERCADO IMOBILIÁRIO|Alugar um imóvel no Rio ficou mais difícil: oferta encolhe, preços disparam e disputa por moradias cresce na capital
Encontrar um imóvel para alugar no Rio de Janeiro se tornou um desafio cada vez maior para milhares de famílias. Além da escassez de opções, quem procura uma nova residência enfrenta preços em constante alta, maior concorrência entre os interessados e uma oferta reduzida de imóveis disponíveis para contratos de longo prazo. A combinação entre a diminuição da oferta, o crescimento das plataformas de aluguel por temporada, o aumento dos custos de financiamento e a valorização de bairros estratégicos vem redesenhando o mercado imobiliário da capital fluminense.
Dados do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio) mostram que a quantidade de imóveis destinados à locação tradicional caiu 31,8% entre 2023 e 2026, reduzindo significativamente as alternativas para quem busca um contrato convencional. O levantamento aponta que, enquanto a procura por imóveis continua elevada, o número de unidades disponíveis não acompanha essa demanda, provocando um desequilíbrio que impulsiona os preços dos aluguéis.
Especialistas explicam que um dos principais fatores para essa redução é a migração de muitos proprietários para o mercado de locação por temporada. Impulsionadas pelo turismo e pela maior rentabilidade obtida em plataformas digitais, essas modalidades permitem ganhos superiores aos contratos convencionais, principalmente em bairros turísticos e próximos às praias. Como consequência, milhares de imóveis deixaram de integrar o mercado de aluguel residencial de longo prazo.
Outro elemento que contribui para esse cenário são os juros elevados da economia. Com o crédito imobiliário mais caro, muitas pessoas adiaram a compra da casa própria e permaneceram no mercado de locação, aumentando ainda mais a procura por imóveis disponíveis. Esse movimento intensificou a competição entre os candidatos a uma mesma residência, fazendo com que proprietários tenham maior poder de negociação e consigam reajustar os valores cobrados.
Na prática, a dificuldade já faz parte da rotina de quem busca um novo endereço. O produtor cultural Gustavo Canella relata que está há meses tentando encontrar um apartamento na Tijuca. Depois de morar na Zona Sul, no Centro e atualmente viver em Vila Isabel, ele afirma que encontrar um imóvel com preço compatível e contrato de locação tradicional se tornou uma tarefa cada vez mais complicada.
Segundo Gustavo, grande parte dos anúncios encontrados nas plataformas digitais oferece apenas locações de curta temporada, normalmente com apartamentos mobiliados e diárias ou mensalidades significativamente mais caras do que os contratos residenciais convencionais. Quando surgem imóveis para aluguel de longo prazo, eles costumam receber dezenas de interessados em poucos dias, reduzindo as chances de quem procura uma nova moradia.
De acordo com o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider, a redução da oferta é um dos principais fatores responsáveis pela valorização dos aluguéis registrada nos últimos anos. Com menos imóveis disponíveis e uma demanda aquecida, cresce a disputa entre os interessados, elevando os preços dos novos contratos e tornando o acesso à moradia mais difícil para boa parte da população.
Os números do Data Secovi confirmam esse movimento. O Leblon continua sendo o bairro com o metro quadrado de aluguel mais caro da cidade, atingindo R$ 129,10. Em seguida aparecem Ipanema, com R$ 124,97, e a Lagoa, com R$ 89,64 por metro quadrado. Os valores refletem a alta procura por regiões com infraestrutura consolidada, ampla oferta de serviços, segurança e proximidade da orla.
Embora a Zona Sul concentre os maiores preços, o aumento dos aluguéis também vem sendo observado em bairros da Zona Norte, do Centro e da Zona Oeste. Regiões tradicionalmente mais acessíveis passaram a registrar reajustes expressivos, pressionadas pelo deslocamento de moradores que deixaram bairros mais caros em busca de alternativas financeiramente viáveis.
Especialistas avaliam que o mercado imobiliário deve continuar pressionado enquanto a oferta de imóveis permanecer limitada e a demanda seguir elevada. A expectativa é que novos empreendimentos residenciais e uma eventual redução dos juros possam contribuir para equilibrar o setor nos próximos anos. Até lá, encontrar um imóvel para alugar no Rio de Janeiro exigirá cada vez mais planejamento financeiro, rapidez nas negociações e flexibilidade por parte dos inquilinos. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano