Cultura
Mãe Gi de Oxossy e o candomblé além-mar
- Duda Tawil, de Lisboa
O Velho Continente acolhe, hoje, uma grande quantidade de cidadãos de origem afro. No caso específico de Portugal, a maioria foi colonizada pelos portugueses e abraçou a fé em Cristo.
No sentido contrário desta realidade, surge a mãe de santo ou ialorixá Gislaine Silva, carinhosamente Mãe Gi, uma brasileira que está à frente de um terreiro de candomblé além-mar, paranaense de sorriso largo e de veia artística, visto que pinta quadros e curte moda. Um de seus sonhos é ter uma grife e criar roupas, inclusive para o candomblé.
Ela nos conta sobre o início de sua trajetória: “Sou do Paraná, de uma cidadezinha chamada Mandaguari. Meu pai já tinha ligação com a umbanda. Confesso que nunca me liguei nesse lado e até achava que era coisa negativa. Me preocupava com outras questões na minha vida. Esse caminho começou em 2001 quando eu vim do Brasil para Portugal. Chegando aqui, senti uma forte necessidade, uma angústia enorme de saber quem eu era e o porquê de estar nesse mundo. Tipo autodescoberta”, relatou.
“Daí, conheci uma casa de candomblé e entrei na espiritualidade pela dor. Aprendi muito, fiquei por lá 11 anos e me tornei uma pessoa muito melhor, com equilíbrio para prosseguir e ajudar as pessoas. A dor acabou se transformando em amor!”
E será mesmo que os europeus, em geral, são céticos e que o candomblé e as religiões de matriz africana tem pouco espaço por aqui? Ela contesta: “Eles não são céticos! Lá no fundo, eles acreditam, ainda mais quando a coisa aperta. O diferencial é que eles são muito mais reservados que os brasileiros, bem mais discretos. Não curtem aparecer”.
E vai além: “Os portugueses vão à igreja católica, fazem aquela linha e, quando vêm aqui, gostam do tambor, sim!”
Na foto de Karen Silva (divulgação): Mãe Gi de Oxossy, ontem, participou do cortejo da 1a Festa de Santa Bárbara/Oyá pelas ruas centrais de Lisboa