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Luz de Katmandu: Arte e a missão de Ajay Deshar

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Por Luzia Moraes.
Ajay Deshar, nascido em Katmandu em 1983, é um artista e gestor cultural nepalês cujas pinturas se concentram na vida ritual e nas festividades de seu país, distinguindo-se por seu estilo figurativo e uso magistral da luz. Além de sua produção artística, ele promove a educação e a inclusão cultural como diretor do Young Picasso, apoiando iniciativas como a Caminhada Artística em comunidades rurais. Com um currículo ativo de exposições internacionais, seu trabalho integra criação estética, formação educacional e ativismo cultural, posicionando-o como uma figura de destaque na arte contemporânea nepalesa e um promotor da identidade cultural em escala global.
Com base no intercâmbio cultural fomentado pela exposição entre o Nepal e a Colômbia, fiquei curiosa para saber mais sobre a vida e a obra de Ajay Deshar e este ambicioso projeto. Para começar esta entrevista:

Para quem ainda não te conhece, quem é Ajaya Deshar além da artista? Como se desenvolveu sua carreira como gestora cultural no Nepal?
Ajaya Deshar é uma artista comprometida com uma missão que transcende a criação estética: fortalecer a arte nepalesa, empoderar jovens e integrar a tradição em contextos contemporâneos. Minha carreira como gestora cultural reflete minha evolução de artista para líder, utilizando a criatividade como ferramenta para organização, preservação cultural e transformação social.
Que experiências pessoais ou contextos sociais no Nepal influenciaram sua visão artística e seu compromisso cultural?
Minha visão artística deriva do ambiente cultural do Nepal. Aprendi que a criatividade é uma experiência espiritual e social. Por meio da educação, da mentoria e da curadoria, promovo a inclusão, a preservação cultural e a visibilidade internacional das vozes nepalesas.
O que é o “Young Picasso” e como surgiu?
O Young Picasso é uma escola de belas artes comunitária no Nepal, fundada em 2012 para fomentar a criatividade em crianças e jovens por meio de treinamento em diversas disciplinas artísticas. Surgiu como resposta à desvalorização da educação artística, oferecendo espaços inclusivos, oficinas e exposições com alcance internacional. Mais do que uma instituição educacional, consolidou-se como um centro cultural que promove a expressão da identidade e da imaginação. Também fomenta o intercâmbio entre artistas locais e internacionais, integrando tradição e abordagens contemporâneas. Atualmente, está se transformando em um programa global de residência artística, fortalecendo o aprendizado, o diálogo criativo e a conexão cultural.
A exposição “Consciência Ambiental e Paz” aborda duas questões extremamente urgentes. Como essas preocupações surgiram em seu trabalho artístico e prática curatorial?
A exposição “Consciência Ambiental e Paz” nasce de experiências pessoais com a fragilidade ecológica e social do Nepal. Através da arte, ela integra preocupações ambientais com o diálogo pela paz, oferecendo aos jovens artistas uma plataforma para expressar a consciência ecológica e promover a coexistência harmoniosa. Reflete um compromisso duplo: proteger a natureza e fortalecer a unidade social por meio da criação artística.
Qual é o conceito central desta exposição internacional? Que mensagem você espera que seja transmitida ao público no Nepal e na Colômbia?
O conceito central desta exposição internacional é a interligação entre responsabilidade ambiental e construção da paz. Ela enfatiza como o cuidado com a natureza e a promoção da harmonia são indissociáveis ​​do desenvolvimento sustentável das comunidades. Ao reunir artistas do Nepal e da Colômbia, a exposição destaca lutas compartilhadas — mudanças climáticas, transições sociais e resiliência cultural — ao mesmo tempo que celebra a criatividade como uma linguagem universal.

Organizar uma exposição entre dois países tão diferentes como o Nepal e a Colômbia não é tarefa fácil. Quais foram os principais desafios culturais, logísticos e até mesmo emocionais nesse processo?
Conectar tradições e idiomas distintos exigiu sensibilidade, enquanto a coordenação entre continentes demandava um planejamento meticuloso. Emocionalmente, equilibrar expectativas diversas testou nossa paciência.
Na sua perspectiva, quais são os pontos em comum entre as realidades ambientais do Nepal e da Colômbia?
Apesar da distância, o Nepal e a Colômbia compartilham uma grande biodiversidade e ameaças ambientais como o desmatamento e as mudanças climáticas. Essa vulnerabilidade compartilhada destaca a necessidade de proteger os ecossistemas e promover a tolerância, entendendo a gestão ambiental como uma responsabilidade global que une culturas por meio da ação coletiva.
Quais artistas participarão e como foi realizado o processo de seleção?
A exposição “Consciência Ambiental e Paz” apresenta artistas do Nepal, Colômbia e outros países, selecionados por meio de uma convocatória aberta. O processo priorizou a inclusão, convidando artistas visuais nepaleses a contribuírem com obras que reflitam a responsabilidade ecológica e a construção da paz. Os artistas nepaleses participantes são afiliados ao Young Picasso (Nepal).
Na sua função de gestora cultural, qual a importância da arte como ferramenta para sensibilizar para o meio ambiente e promover a paz?
A arte possui um imenso poder para sensibilizar para o meio ambiente e promover a paz. Ela transforma problemas complexos em narrativas visuais que evocam empatia e reflexão. Ao conectar comunidades, a arte fomenta o diálogo intercultural, tornando tangíveis a responsabilidade ecológica e a harmonia. Assim, a arte torna-se um espelho, um catalisador para a mudança e a ação.
O que você espera que os visitantes sintam ou reflitam ao vivenciar esta exposição? Seu objetivo é que eles reflitam, se inspirem ou se transformem?
Esperamos que sintam uma profunda conexão e responsabilidade. Nosso objetivo é que reflitam sobre a fragilidade do nosso meio ambiente e a importância da paz, e que se inspirem a agir.
Qual é a sua visão para o futuro deste tipo de intercâmbio cultural internacional?
Que se torne um diálogo sustentável, inclusivo e transformador. Exposições como esta demonstram que a arte pode transcender fronteiras, conectando comunidades por meio de preocupações compartilhadas, como a proteção ambiental e a construção da paz. Imagino que os intercâmbios futuros serão mais colaborativos, com artistas cocriando entre continentes, fundindo tradições com vozes contemporâneas.
Esta exposição poderá ser o início de uma rede artística mais ampla entre a Ásia e a América Latina?
Sim, esta exposição poderá ser o início de uma rede artística mais ampla entre a Ásia e a América Latina. Ao conectar o Nepal e a Colômbia, demonstra como preocupações comuns — fragilidade ambiental, resiliência cultural e a busca pela paz — podem unir artistas de diferentes continentes.
Como podemos promover a arte entre o Nepal e a Colômbia?
Promover a arte entre o Nepal e a Colômbia significa construir pontes entre culturas e distâncias. Exposições podem destacar temas em comum, como a consciência ambiental e a paz, enquanto plataformas digitais expandem o acesso globalmente. Intercâmbios artísticos, residências e oficinas colaborativas fomentam uma compreensão mais profunda. Ao integrar motivos himalaios e andinos, o diálogo torna-se simbólico, transformando a diversidade em unidade e responsabilidade compartilhada.
Obrigada!

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