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Gerhard Richter na Fundação Louis Vuitton, em Paris

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  • Christine Ranunkel, de Paris

Numerosos museus beneficiam do mecenato do grupo LVMH, tanto para o seu
funcionamento quanto para a ampliação das suas coleções. Versalhes, o Louvre e o Museu
d’Orsay estão entre os principais, mas a Fundação desenvolve muitas outras ações culturais.
E depois, há aquele edifício surpreendente que vimos surgir, há alguns anos, no Bois de
Boulogne, entre Paris e Neuilly-sur-Seine, no 16° distrito da Cidade Luz: a Fundação Louis Vuitton!

Devemos esta obra ao arquiteto americano-canadense Frank Gehry, que já havia concebido
o Museu Guggenheim de Bilbao, inaugurado em 2001. Ele era essa “superestrela” da
arquitetura que ousava “quebrar os códigos, torcendo as linhas”; era considerado mestre do
“desconstrutivismo”. Faleceu em dezembro passado, aos 95 anos, deixando uma obra
revolucionária no campo da arquitetura.

Desde a sua inauguração, a Fundação Louis Vuitton — onde se sucedem programações
originais e de altíssimo nível — tem alcançado um sucesso constante.
Mais recentemente, depois de David Hockney, os parisienses descobrem ali um pintor
alemão contemporâneo, tão admirável quanto inclassificável: Gerhard Richter. 60
anos de trabalho estão reunidos neste espaço.

Nascido em Dresden, na Alemanha, ele é marcado pela guerra e pelo bombardeio de sua
cidade natal, que a transformou em uma cidade mártir. Também marcado pela Shoah e
pelos campos de extermínio, produziu um ciclo de quatro grandes telas intitulado
“Birkenau”.

Ao mesmo tempo fotógrafo e pintor, Richter reproduz na tela os temas de suas fotografias
— “sou um fazedor de imagens”, gosta de repetir. Mas essas imagens, figurativas, tornam-se desfocadas, por vezes até chegarem à abstração.

É impressionante descobrir isso! Vivi ali uma experiência pessoal um tanto surpreendente: ao
atravessar a primeira sala, perguntei-me se não estaria subitamente sofrendo de sérios
distúrbios visuais. A sala seguinte tranquilizou-me completamente.

A obra de Richter é múltipla e, se às vezes gera angústia, compensa felizmente com
momentos de serenidade totalmente figurativa: belas paisagens e retratos nos quais
também se destaca, como os de Betty, Isa ou Sabine, sua última esposa.

O famoso e magnífico “Mulher Lendo”, totalmente figurativo, data apenas de 1994; estamos
longe daqueles pintores figurativos que evoluem sem jamais voltar atrás. Richter tem a
capacidade de ir e vir entre diferentes estilos, conforme a intuição do momento.

Espetacular!

A Fundação Louis Vuitton é acessível por micro-ônibus a partir da Place de l’Étoile, no Arco do Triunfo
(parada do Boulevard Haussmann), na capital francesa.

Foto (Christine Ranunkel – divulgação): “Birkenau” é uma das obras de G. Richter na espetacular exposição

  • Jornalista francesa, membro e presidente de honra da APE – Association de la Presse Étrangère/Associação da Imprensa Estrangeira – da França.

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