Brasil
Estudo da FGV aponta saúde e segurança como os temas de maior engajamento no interior e litoral do Rio de Janeiro
A saúde é o assunto que mais mobiliza os usuários das redes sociais no interior e litoral do estado do Rio de Janeiro. A conclusão é de um levantamento inédito realizado pela FGV Comunicação, a pedido do portal G1, que analisou mais de 655 páginas locais e comunitárias do Instagram em 75 municípios das regiões Serrana, Norte Fluminense, Região dos Lagos e Sul e Costa Verde entre maio e agosto de 2026.
A pesquisa acompanhou o volume de postagens e o nível de engajamento (curtidas, comentários e compartilhamentos) em nove eixos temáticos: saúde, segurança, educação, meio ambiente, mobilidade e transporte, cultura e lazer, habitação, infraestrutura urbana e economia.
O panorama das quatro regiões analisadas
O levantamento revela que, embora segurança e saúde rivalizem na atenção do público em todo o estado, as dinâmicas de engajamento variam conforme a região.
Na Região Serrana, a saúde liderou as interações com 21,4% do total, seguida por segurança (15,4%). No entanto, quando analisado apenas o volume de postagens dos administradores, a segurança assumiu a ponta, concentrando 25,2% das publicações contra 20,7% de saúde. O estudo destacou o engajamento proporcional de municípios menores, como Bom Jardim, que respondeu por 36,9% do engajamento em saúde, e Cachoeiras de Macacu, responsável por 43,9% das interações em segurança.
No Norte Fluminense, a disputa foi acirrada: a saúde ficou em primeiro lugar com 16,4% do engajamento, superando a segurança por apenas 0,5 ponto percentual (15,9%). A infraestrutura urbana apareceu em terceiro lugar na região. Enquanto Campos dos Goytacazes liderou a mobilização em segurança e economia, Macaé destacou-se em saúde, meio ambiente, habitação e mobilidade.
A Região dos Lagos foi a única onde a segurança superou a saúde no topo do engajamento, registrando 19,9% das interações contra 19,7% da saúde. Juntos, os dois eixos somaram quase 40% de toda a mobilização regional. O estudo apontou que menções a facções e milícias representaram menos de 11% do debate sobre segurança, enquanto assassinatos, roubos e acontecimentos de fora da região dominaram a pauta. Cabo Frio e Maricá figuraram como os principais polos de debate.
No Sul e Costa Verde, a saúde voltou à liderança com 19% do engajamento, acompanhada por segurança (16,7%). O grande diferencial da região foi a área de cultura e lazer, que alcançou 7,1% das interações — maior índice entre todas as regiões —, impulsionada por festas comunitárias, eventos religiosos, gastronomia e tradições locais. Volta Redonda concentrou a maior participação geral, enquanto Angra dos Reis liderou as pautas ambientais e de infraestrutura na Costa Verde.
Metodologia diferenciada
Conforme explica o professor Victor Piaia, coordenador da pesquisa pela Escola de Comunicação da FGV, o levantamento não se configura como uma pesquisa de opinião pública, mas sim como um indicador de interesse e reação social. Ao cruzar a quantidade de conteúdos postados com as interações geradas, o estudo consegue diferenciar os temas priorizados pelos criadores de conteúdo daqueles que efetivamente capturam a atenção e estimulam a participação dos cidadãos no ecossistema digital.
Conclusão
Os dados mapeados pela FGV Comunicação revelam que as demandas essenciais do cidadão — como acesso a atendimento médico, procedimentos hospitalares e sensação de segurança — continuam sendo o motor central das conversas digitais no estado do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que expõem lacunas na prestação de serviços públicos locais, as redes sociais comunitárias consolidam-se como arenas fundamentais de escuta social, oferecendo aos gestores públicos um diagnóstico em tempo real das prioridades e angústias de cada microrregião fluminense. Por podcast edinhotaon / Edno Mariano