Polícia
ENCONTRO MILIONÁRIO EM NY|Degustação de uísque de R$ 5 milhões amplia pressão sobre investigação envolvendo Rioprevidência e Banco Master
A revelação de uma luxuosa degustação de uísque avaliada em cerca de R$ 5 milhões, realizada em Nova York, ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (28) e aumentou a repercussão política em torno das investigações da Polícia Federal sobre investimentos bilionários do Rioprevidência ligados ao Banco Master.
O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, negou participação no encontro promovido pelo banqueiro Daniel Vorcaro em maio de 2024. Segundo ele, apesar de ter estado nas proximidades do local onde ocorreria o evento, não entrou no estabelecimento nem participou da confraternização.
De acordo com a versão apresentada por Rueda, ele apenas passou em frente ao Carnegie Club, tradicional espaço de luxo em Manhattan, e seguiu para o hotel onde participou remotamente de uma reunião da Executiva Nacional do partido.
A negativa surge após mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro colocarem o encontro no centro das atenções da investigação federal que apura possíveis irregularidades em operações financeiras envolvendo o Rioprevidência e produtos vinculados ao Banco Master.
O encontro exclusivo em Manhattan
A degustação aconteceu no Carnegie Club, sofisticado bar de charutos e bebidas premium localizado próximo ao Central Park, em uma das áreas mais valorizadas de Manhattan. Conhecido por receber empresários, celebridades e executivos do mercado financeiro internacional, o espaço foi escolhido para um evento reservado e altamente seletivo.
Segundo documentos obtidos pelos investigadores, o custo da reunião teria alcançado cerca de US$ 1 milhão — aproximadamente R$ 5,2 milhões na cotação considerada pela Polícia Federal.
As mensagens analisadas indicam que o próprio Daniel Vorcaro descrevia a degustação como um encontro “pequeno” e “exclusivo”, voltado para convidados de alto nível político e empresarial.
Entre os nomes apontados como presentes estariam o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, além de parlamentares, operadores políticos e dirigentes ligados a partidos do Centrão, grupo que hoje exerce forte influência no Congresso Nacional e no governo federal.
Investigação mira investimentos bilionários
O episódio ganhou relevância porque ocorre paralelamente às investigações sobre aplicações financeiras feitas pelo Rioprevidência, fundo responsável pela gestão previdenciária dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.
A Polícia Federal apura investimentos estimados em cerca de R$ 3,7 bilhões realizados pelo instituto em fundos e papéis relacionados ao Banco Master. Os investigadores buscam esclarecer se houve favorecimento político, influência indevida ou irregularidades nos critérios adotados para os aportes financeiros.
Embora Antonio Rueda não figure formalmente como alvo da operação, seu nome aparece citado no inquérito por suposta participação nas articulações que levaram à indicação de integrantes da antiga diretoria do Rioprevidência.
A investigação também busca entender a relação entre agentes políticos, operadores financeiros e dirigentes do fundo previdenciário nas decisões que autorizaram os investimentos.
Pressão política aumenta
Nos bastidores de Brasília e do Rio de Janeiro, o caso passou a gerar preocupação diante da repercussão pública provocada pela combinação entre cifras bilionárias, encontros de luxo no exterior e a presença de figuras influentes da política nacional.
A oposição já começa a cobrar explicações mais detalhadas sobre a relação entre integrantes do governo fluminense, dirigentes partidários e executivos do setor financeiro.
Além do impacto político, especialistas avaliam que o caso pode reacender debates sobre os mecanismos de controle em fundos previdenciários estaduais, especialmente após uma série de crises financeiras enfrentadas por regimes próprios de previdência em diferentes estados brasileiros nos últimos anos.
O Rioprevidência, que administra bilhões de reais em recursos públicos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões, já esteve no centro de outras controvérsias financeiras em governos anteriores, sobretudo envolvendo operações estruturadas e investimentos de alto risco.
PF segue analisando material apreendido
A Polícia Federal continua analisando celulares, mensagens, documentos e registros financeiros apreendidos durante as operações recentes relacionadas ao caso. A expectativa é que novos desdobramentos ocorram nas próximas semanas à medida que os investigadores cruzem informações sobre reuniões, movimentações financeiras e decisões administrativas ligadas ao Rioprevidência.
Até o momento, não há acusação formal contra os participantes citados no encontro em Nova York, e os investigados negam irregularidades. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano