Brasil
Em ata do Copom, Banco Central aponta desaceleração do crédito de longo prazo e alta no crédito direcionado
O Banco Central incluiu na ata de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22), uma análise inédita sobre o comportamento do crédito no Brasil. O documento detalha as discussões da última reunião do órgão, na qual foi decidida a redução da taxa básica de juros (Selic) de 14% para 13,75% ao ano. Segundo o comitê, os empréstimos de longo prazo no segmento livre vêm perdendo força sob o impacto dos juros elevados, enquanto financiamentos imobiliários e operações empresariais com apoio de fundos garantidores mantêm trajetória de expansão.
Os dados mais recentes da autarquia confirmam a divergência entre as modalidades de financiamento. Em julho, o saldo do crédito com recursos livres registrou recuo de 0,1% frente a junho, ao passo que o crédito direcionado avançou 0,8%, alcançando um estoque total de R$ 7,4 trilhões no sistema financeiro nacional. O destaque continuou com o financiamento imobiliário para pessoas físicas, que somou R$ 1,415 trilhão — alta de 13,7% em 12 meses —, impulsionado por recursos com destinação específica e linhas subsidiadas que reagem menos ao patamar da Selic.
Para analistas de mercado, a inclusão desse diagnóstico na ata sinaliza a atenção do Banco Central em relação a políticas governamentais que garantem a oferta de crédito em meio à política monetária contracionista. Como a alta dos juros busca arrefecer o consumo e conter a inflação, o crescimento contínuo de modalidades garantidas pode suavizar esse efeito na economia. Sem criticar diretamente as medidas, o Copom enfatizou no documento a importância de manter a harmonização entre as políticas fiscal e monetária para assegurar a convergência das metas econômicas.
Conclusão
A leitura do Copom sobre o mercado de crédito evidencia a dupla velocidade da economia brasileira sob o aperto monetário. Ao expor a resistência do crédito direcionado em contraste com a retração das linhas livres convencionais, o Banco Central reforça a necessidade de equilíbrio entre os estímulos públicos e a calibragem da taxa Selic, elemento crucial para garantir a queda sustentável da inflação nos próximos trimestres. Por podcast edinhotaon